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A FOLIA DO FOLE

João Carlos Silva é articulista e consultor.

O Carnaval chegando ao seu final. Tudo muito bacana por todo o Brasil. Desfiles de blocos e escolas de samba genuinamente raiz. No Rio de Janeiro houve uma homenagem ao presidente Lula por uma escola de Niterói. Era sua estreia no Grupo Especial. Até aí tudo bem. O carnavalesco errou ao produzir um boneco do ex-presidente atrás das grades e com fantasia de palhaço com uniforme de presidiário. Mostrou um personagem imitando o ex-presidente Michel Temer tomando a faixa presidencial do personagem que imitava Dilma Rousseff, ex-presidente. Provocação desnecessária.

Jair Bolsonaro está fora do jogo eleitoral. Michel Temer assumiu um Brasil totalmente esfarelado pelo segundo mandato de Dilma. Ela perdeu apoio popular e congressual. Não tinha mínima condição de continuar no cargo. Foi defenestrada pela maioria do Parlamento e ainda ficou elegível. Disputou um mandato para uma cadeira no Senado Federal por MG. Não teve fôlego eleitoral para tal. Ficou na rebarba final da fila.

O ex-presidente Michel Temer produziu uma nota reflexiva sobre o que todos assistiram pela escola de Niterói. Uma folia do fole que ativou uma combustão. Pensar o Brasil não é colocar retrovisor para alimentar o que passou. Lula perdurou no cadafalso da prisão. Recuperou seus direitos políticos e venceu mais uma eleição para a Presidência da República. Era hora de estar olhando para o horizonte com carro alegórico recheado de boas novas para o povo brasileiro.

Temer observou muito bem isso. É um sábio na condução do vernáculo da conciliação. O que uma escola de samba faz de bom homenageando em vida, escorrega com um enredo vencido, esquecido, deixado de lado. Michel Temer não produziu absolutamente nada para influenciar a queda de Dilma Rousseff. Ela mesma produziu sua queda. Não ouvia ninguém e virou suas costas para o Congresso Nacional.

O povo saiu aos milhares pelas ruas do Brasil, sem fantasia e no chão. Não estava em um carro alegórico. Foi extremamente oportuna a fala de Michel Temer sobre o que todos viram no Sambódromo do Rio de Janeiro, produzido pela escola de Niterói. Temer não sambou em carro alegórico. Quem quase sambou foi o povo brasileiro num governo fracassado na economia onde Dilma Rousseff usava a faixa.

Aliás, faixa presidencial em desfile de escolas de samba: fole engolindo folia. Da próxima vez seria bom tomar conhecimento do enredo para não tropeçar no salto nem na fantasia. Bora começar o ano?

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