Criminosos levaram rótulos da safra 2023 de um depósito na Toscana; empresa alerta compradores sobre ofertas fora dos canais oficiais
Por Gabrielle Tricanico | INTERNACIONAL | CORTONA, ITÁLIA
Um furto de grandes proporções atingiu a Marchesi Antinori, uma das mais tradicionais produtoras de vinhos da Itália. Cerca de 30 mil garrafas, avaliadas em € 5 milhões, foram levadas de um depósito em Cortona, na província de Arezzo, na Toscana. A carga reunia rótulos de alto valor e estava preparada para distribuição internacional.
O desaparecimento dos vinhos foi descoberto por funcionários na manhã de segunda-feira, 5 de outubro. Segundo a agência italiana ANSA, que cita o jornal Corriere della Sera, o episódio é apontado como o maior furto de vinhos já registrado no país em valor financeiro.
Dois caminhões e uma operação planejada
Pelo menos sete pessoas participaram da ação. Os criminosos neutralizaram sistemas de segurança e utilizaram empilhadeiras da própria empresa para carregar as caixas em dois caminhões, conforme informações divulgadas pela imprensa italiana.
A preparação da mercadoria para exportação facilitou a retirada de um volume expressivo de garrafas, explicou um representante da Antinori à Reuters. A empresa considera que a execução e o momento escolhido indicam a atuação de um grupo altamente organizado.
A polícia italiana investiga o caso. O planejamento da ação, entretanto, não comprova participação de funcionários nem permite concluir que os criminosos receberam informações internas.
Solaia, Tignanello e Guado al Tasso entre os vinhos furtados
As garrafas pertenciam à safra 2023 e incluíam Solaia, Tignanello e Guado al Tasso, três dos rótulos mais conhecidos da produtora.
Segundo a ANSA, aproximadamente 10 mil unidades eram de Solaia, cuja produção anual gira em torno de 60 mil a 70 mil garrafas. Nessa estimativa, a quantidade furtada corresponde a aproximadamente 14% a 17% de uma produção anual do rótulo — dimensão que ajuda a explicar a preocupação com uma eventual revenda clandestina.
A perda vai além do número de caixas retiradas do depósito. A concentração de vinhos reconhecidos e de alto valor torna a recuperação da carga relevante também para a confiança entre produtores, distribuidores e compradores.
Outros furtos ampliam a preocupação
A reportagem da Comunità Italiana relaciona o episódio a outros dois grandes furtos recentes: um na Banfi Piemonte, em Strevi, e outro na Conterno Fantino, em Monforte d’Alba. Nesses casos, foram levadas milhares de garrafas de Alta Langa e Barolo.
Renzo Cotarella, diretor-executivo da Antinori, levantou a possibilidade de ligação entre os crimes. Essa hipótese ainda não foi confirmada pelas autoridades.
A sequência coloca em discussão a proteção dos estoques e das operações de distribuição. No caso de Cortona, os criminosos encontraram reunida uma carga de elevado valor, pronta para seguir ao exterior.
Alerta para compradores e comerciantes
Com origens em 1385 e exportações para aproximadamente 170 países, a Antinori informou que está avisando clientes ao redor do mundo para que desconfiem de ofertas feitas fora dos canais oficiais.
Para consumidores, lojas especializadas e restaurantes brasileiros, a orientação tem aplicação prática: verificar a procedência, a documentação comercial e a identificação do fornecedor antes de adquirir esses rótulos, especialmente diante de preços muito abaixo dos habituais.
O alerta internacional não significa que as garrafas furtadas tenham chegado ao Brasil. Nas informações consultadas, não há confirmação de um destino brasileiro para a carga.
O caso evidencia um desafio do mercado de vinhos de alto valor: preservar a rastreabilidade depois que o produto deixa o depósito. A identificação das garrafas e a cooperação dos compradores podem ajudar a dificultar sua circulação irregular enquanto as autoridades buscam os responsáveis.

