Boletins de urna do exterior revelam um cenário dividido: Lula abre vantagem expressiva na Oceania e em países como China e Coreia do Sul, enquanto Flávio Bolsonaro lidera no Japão, Filipinas, Tailândia, Taiwan e Hong Kong.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | BRASIL
Os primeiros resultados das Eleições 2026 no exterior começam a desenhar um mapa eleitoral bastante dividido entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Boletins de urna divulgados neste domingo (4) mostram diferenças importantes no comportamento do eleitor brasileiro dependendo do país.
Na Austrália e na Nova Zelândia, Lula somou 4.796 votos, contra 2.643 de Flávio Bolsonaro, considerando os dados apresentados no levantamento feito a partir dos boletins de urna.
A diferença é puxada principalmente pela Austrália. No país, Lula aparece com aproximadamente 56%, enquanto Flávio Bolsonaro registra cerca de 32%. Na Nova Zelândia, a vantagem petista é ainda maior: 70% contra 19%.
O cenário, porém, muda de maneira significativa quando a apuração avança por diferentes países da Ásia.
JAPÃO DÁ VANTAGEM EXPRESSIVA A FLÁVIO BOLSONARO
Entre os resultados apresentados, o Japão chama atenção pela diferença. Flávio Bolsonaro aparece com aproximadamente 72% dos votos, contra 15% de Lula.
Em números absolutos apresentados no levantamento, são 24.601 votos para Flávio Bolsonaro e 5.222 para Lula. Outros candidatos concentram aproximadamente 13%.
A votação japonesa ganha peso também pelo tamanho da comunidade brasileira no país e pelo volume significativamente superior de votos quando comparado a outras localidades do exterior.
LULA LIDERA NA CHINA, COREIA DO SUL E MALÁSIA
Na China, Lula aparece com 57%, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Na Coreia do Sul, o petista registra 59%, enquanto Bolsonaro fica com 34%.
A tendência também aparece na Malásia, onde Lula registra 58%, contra 36% do candidato do PL.
Esses números mostram que não existe uma tendência uniforme entre os brasileiros que votam no exterior. O comportamento eleitoral muda de forma significativa conforme o país.
FLÁVIO VENCE EM FILIPINAS, TAILÂNDIA, TAIWAN E HONG KONG
Em outros países asiáticos, o movimento se inverte.
Nas Filipinas, Flávio Bolsonaro aparece com 53%, diante de 42% de Lula. Na Tailândia, a diferença é de 52% contra 40%.
Em Taiwan, Bolsonaro registra 49%, contra 35% de Lula. Já em Hong Kong, o resultado é mais apertado: 43% para Flávio e 41% para Lula.
Os resultados revelam, portanto, um eleitorado brasileiro no exterior fragmentado, com Lula conseguindo vantagens expressivas em determinados países e Flávio Bolsonaro construindo margens importantes em outros.
OUTROS CANDIDATOS TAMBÉM APARECEM NA DISPUTA
Na Austrália, depois de Lula e Flávio Bolsonaro, Augusto Cury aparece com 331 votos, seguido por Renan Santos, com 316. Romeu Zema recebeu 139 votos e Ronaldo Caiado, 121.
Na Nova Zelândia, Renan Santos registrou 13 votos; Zema, sete; Augusto Cury, seis; Caiado, cinco; Samara, dois; e Hertz Dias, um.
Embora numericamente o eleitorado no exterior represente uma parcela pequena diante dos milhões de eleitores aptos a votar no Brasil, os primeiros boletins funcionam como uma espécie de termômetro inicial da eleição presidencial e ajudam a mostrar como a polarização política brasileira também se manifesta fora do país.
A votação no exterior, no entanto, não deve ser projetada automaticamente para o comportamento das urnas brasileiras. O perfil demográfico, profissional e socioeconômico dos brasileiros residentes em cada país é diferente daquele encontrado nas regiões do Brasil.
Com a votação avançando neste domingo, a atenção agora se volta para a abertura das urnas no território nacional e, principalmente, para os maiores colégios eleitorais do país, entre eles São Paulo, que terá peso decisivo na definição da corrida presidencial.
