Orlando Morando registra 8% para deputado federal e Carla Morando, 6% para estadual no Grande ABC; Paulo Serra tem 6% e Ana Carolina Serra, 5%. Em São Bernardo, Orlando chega a 20% e Carla a 16%, enquanto candidaturas locais disputam espaço na reta final
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | GRANDE ABC
A reta final das Eleições 2026 começa a revelar como está distribuída a intenção de voto para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa nas sete cidades do Grande ABC. Pesquisa Real Time Big Data divulgada neste domingo (28) coloca Orlando Morando (MDB) e Carla Morando (PSD) nos maiores patamares registrados entre os nomes citados espontaneamente nas respectivas disputas regionais, enquanto Paulo Serra e Ana Carolina Serra aparecem imediatamente na sequência.
O levantamento ouviu 2 mil eleitores do Grande ABC entre 23 e 26 de setembro, tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada sob o número SP-02538/2026.
Orlando tem 8% no ABC e chega a 20% em São Bernardo
Na disputa espontânea para deputado federal, Orlando Morando registra 8% no conjunto do Grande ABC.
Paulo Serra aparece com 6%, seguido por Alex Manente, com 4%. Depois aparecem Moisés Selerges, Vicentinho, Kim Kataguiri e Lucas Pavanato, todos com 2%.
Fernando Marangoni, Major Vitor Santos, Tabata Amaral, Renata Abreu, Erika Hilton, Marina Helena, Zoe Martínez e Delegado Bruno Lima aparecem com 1% cada. Outros nomes somam 7%, votos brancos e nulos representam 7% e 52% não souberam ou não responderam.
O cenário ganha outra dimensão quando o levantamento olha especificamente para São Bernardo do Campo.
Na cidade, Orlando Morando alcança 20% na espontânea para deputado federal. Alex Manente aparece com 11%, Vicentinho tem 4%, Moisés Selerges, 3%, enquanto Kim Kataguiri e Renata Abreu registram 2% cada.
Paulo Serra, Lucas Pavanato, Tabata Amaral, Erika Hilton, Delegado Bruno Lima, Marina Helena, Zoe Martínez e Rafael Demarchi aparecem com 1% cada. Outros somam 6%, brancos e nulos são 6% e 38% não sabem ou não responderam.
O percentual de Orlando em São Bernardo é, portanto, 12 pontos percentuais superior aos 8% registrados por ele no conjunto regional.
Carla registra 6% no Grande ABC; Ana Carolina Serra tem 5%
Na eleição para deputado estadual, a fragmentação é ainda mais evidente.
Carla Morando registra 6% na pesquisa espontânea regional. Ana Carolina Serra aparece com 5%.
Na sequência vêm Átila Jacomussi e Eduardo Suplicy, com 2% cada.
Com 1% aparecem Rodolfo Donetti, Luiz Fernando Teixeira, Teonílio Barba, Oseias de Madureira, Julinho Fuzari, Ivan Silva, Thiago Auricchio, Márcio da Farmácia, Rômulo Fernandes, Clovis Volpi, Major Mecca, Lucas Bove e Bancada Feminista.
Outros candidatos somam 9%, brancos e nulos representam 8% e 55% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
Esse último número é fundamental para interpretar o levantamento: mais da metade dos entrevistados ainda não cita espontaneamente um candidato a deputado estadual.
São Bernardo: Carla sobe de 6% para 16%
Assim como ocorre com Orlando, é em São Bernardo do Campo que Carla Morando registra seu maior percentual entre as sete cidades.
A candidata à reeleição chega a 16% na espontânea para a Assembleia Legislativa.
Na sequência aparecem Julinho Fuzari (Republicanos), com 4%; Luiz Fernando Teixeira (PT) e Ivan Silva (Podemos), com 3% cada.
Eduardo Suplicy, Teonílio Barba, Lucas Bove e Oseias de Madureira têm 2% cada.
Ana Carolina Serra, Major Mecca, Bancada Feminista e Fran Silva (Republicanos) aparecem com 1% cada. Outros candidatos somam 8%, brancos e nulos representam 7% e 47% não sabem ou não responderam.
O quadro mostra uma particularidade de São Bernardo: além da candidatura de Carla, a cidade possui uma disputa própria por representação na Assembleia Legislativa, com diferentes grupos políticos tentando transformar presença municipal em votos para a Alesp.
Entre esses nomes estão Julinho Fuzari, Ivan Silva e Fran Silva, candidatos com atuação política diretamente ligada a São Bernardo e que entram na reta final disputando espaço dentro do mesmo eleitorado municipal.
Os números mostram, neste momento da pesquisa, Julinho com 4%, Ivan com 3% e Fran com 1% na espontânea em São Bernardo.
De São Bernardo para as outras seis cidades
A distribuição municipal ajuda a entender por que o resultado regional precisa ser analisado para além dos percentuais gerais.
São Bernardo representa 30% da amostra regional, seguido por Santo André, com 27%; Diadema, 16%; Mauá, 15%; São Caetano, 7%; Ribeirão Pires, 4%; e Rio Grande da Serra, 1%. Grande ABC – SP-02538-2026 Set26 (4).pdf
Na disputa estadual, Carla registra 1% em Santo André, 4% em São Caetano, 2% em Diadema, 2% em Ribeirão Pires e 2% em Rio Grande da Serra. Em Mauá, seu nome não aparece individualizado entre os candidatos apresentados no quadro da pesquisa.
Em Santo André, Ana Carolina Serra registra 17%. Rodolfo Donetti aparece com 3% e Eduardo Suplicy, 2%.
Em São Caetano do Sul, Thiago Auricchio tem 6%, Carla Morando aparece com 4%, enquanto Eduardo Suplicy, Major Mecca e Lucas Bove registram 2% cada.
Em Diadema, Márcio da Farmácia aparece com 6%; Eduardo Suplicy, com 3%; e Carla Morando, Regina Nunes, Oseias de Madureira, Josa Queiroz e Reinaldo Meira registram 2% cada.
Em Mauá, Átila Jacomussi tem 8%, Rômulo Fernandes registra 5% e Mazinho aparece com 2%.
Em Ribeirão Pires, Clovis Volpi registra 8%, Rubão Fernandes, 4%, enquanto Átila Jacomussi, Eduardo Suplicy, Carla Morando e Dedé da Folha aparecem com 2% cada.
Já em Rio Grande da Serra, Clovis Volpi e Caio França registram 4% cada; Rubão Fernandes, Carla Morando e Lucas Bove aparecem com 2% cada.
A fotografia municipal mostra que a configuração da disputa muda de uma cidade para outra, com candidaturas que apresentam percentuais mais elevados justamente em seus principais territórios políticos.
Casal Serra aparece na sequência no agregado regional
Outro dado relevante do levantamento é o desempenho conjunto de Paulo Serra e Ana Carolina Serra, ligados politicamente a Santo André.
Paulo registra 6% para deputado federal no Grande ABC, enquanto Ana Carolina tem 5% para deputada estadual.
Os percentuais também crescem quando a pesquisa chega a Santo André: Paulo Serra registra 19% para federal e Ana Carolina Serra chega a 17% para estadual.
Os números permitem observar dois polos territoriais no levantamento: Orlando e Carla Morando apresentam seus maiores percentuais em São Bernardo, enquanto Paulo e Ana Carolina Serra alcançam seus maiores índices em Santo André.
ANÁLISE DA GUARDIÃ | O PESO DAS CIDADES NA DISPUTA PELO VOTO REGIONAL
Por Gabrielle Tricanico
A pesquisa Real Time Big Data expõe uma característica importante da eleição proporcional no Grande ABC: a força territorial das candidaturas permanece como elemento relevante na disputa por vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.
São Bernardo e Santo André são os exemplos mais claros dessa configuração.
Orlando registra 8% no Grande ABC e 20% em São Bernardo. Carla passa de 6% regionalmente para 16% em SBC.
Em Santo André, o movimento é semelhante com outro grupo político: Paulo Serra passa dos 6% registrados regionalmente para 19% no município, enquanto Ana Carolina Serra sai de 5% no Grande ABC para 17% em Santo André.
Mais do que uma disputa entre dois grupos, porém, os números mostram que o Grande ABC possui vários centros políticos municipais.
São Bernardo é especialmente importante porque concentra diferentes candidaturas competitivas dentro do município. Além de Carla, aparecem Julinho Fuzari, Ivan Silva, Luiz Fernando Teixeira, Eduardo Suplicy, Teonílio Barba, Lucas Bove, Oseias de Madureira, Fran Silva e outros nomes.
Esse quadro mostra uma disputa fragmentada pela representação de uma das maiores cidades do Estado na Assembleia Legislativa.
Ao mesmo tempo, o resultado das outras cidades impede uma leitura do Grande ABC como um bloco eleitoral único. Santo André apresenta uma configuração; Mauá possui Átila Jacomussi e Rômulo Fernandes com percentuais relevantes no município; São Caetano apresenta Thiago Auricchio; Diadema tem Márcio da Farmácia e outros nomes locais; e Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra também apresentam suas próprias forças políticas.
Mas há um dado que precisa acompanhar qualquer análise dos percentuais: o elevado número de eleitores ainda sem candidato declarado espontaneamente.
No Grande ABC, 55% não sabem ou não respondem para deputado estadual e 52% para deputado federal. Em São Bernardo, são 47% para estadual e 38% para federal.
Isso significa que a pesquisa registra uma fotografia de um eleitorado ainda bastante indefinido na disputa proporcional.
Outro cuidado metodológico é necessário. A margem de erro de dois pontos percentuais informada pela Real Time Big Data refere-se ao conjunto da amostra de 2 mil entrevistados. O material apresentado não estabelece a mesma margem de dois pontos para cada recorte municipal. Por isso, diferenças pequenas entre candidatos dentro das cidades precisam ser interpretadas com cautela.
O que os números permitem identificar com maior segurança é a geografia política da pesquisa: os Morando registram seus maiores percentuais em São Bernardo; os Serra, em Santo André; enquanto outras candidaturas apresentam concentração própria em Mauá, São Caetano, Diadema e nas demais cidades.
A reta final mostrará até que ponto essas bases municipais conseguirão se expandir regionalmente e, posteriormente, como serão traduzidas em votos nas urnas para definir a representação do Grande ABC na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

