Levantamento mostra Lula com 65% dos votos válidos no primeiro turno e 70% em eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro; recortes por renda, idade e regiões revelam diferenças importantes no comportamento do eleitorado baiano.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | BAHIA
A Bahia entra na reta final das Eleições 2026 com uma diferença expressiva na disputa pela Presidência da República. Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira, 28 de setembro, aponta Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 61% das intenções de voto, contra 24% de Flávio Bolsonaro (PL) no cenário estimulado.
Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) aparecem com 3% cada. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) registram 1% cada. Outros candidatos somam 1%, enquanto 4% dos entrevistados declaram voto branco ou nulo e 2% não sabem ou não responderam.
O levantamento ouviu 1.600 eleitores da Bahia entre os dias 23 e 26 de setembro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada sob o número BR-02319/2026.
Lula chega a 65% dos votos válidos
Quando são considerados somente os votos válidos — excluídos brancos, nulos e indecisos — Lula registra 65%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 26%.
Augusto Cury e Renan Santos têm 3% cada. Ronaldo Caiado, Romeu Zema e os demais candidatos somam 1% cada.
O resultado mostra uma diferença de 39 pontos percentuais nos votos válidos entre os dois primeiros colocados na amostra baiana.
Espontânea aponta Lula com 43%
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados previamente aos entrevistados, Lula registra 43% e Flávio Bolsonaro, 24%.
Augusto Cury e Renan Santos aparecem com 3% cada. Ronaldo Caiado e Pablo Marçal têm 1% cada. Outros nomes somam 2%, enquanto 6% declaram voto branco ou nulo.
O percentual de entrevistados que não souberam ou não responderam chega a 17%.
Segundo turno: Lula 64% e Flávio Bolsonaro 28%
A Real Time Big Data também testou um eventual confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Nesse cenário, Lula registra 64% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro, 28%. Brancos e nulos representam 5%, enquanto 3% não sabem ou não responderam.
Considerando exclusivamente os votos válidos, o cenário passa para 70% para Lula e 30% para Flávio Bolsonaro.
Lula cresce em relação ao levantamento anterior
A comparação com a rodada anterior da Real Time Big Data ajuda a dimensionar a movimentação registrada no estado.
Na pesquisa divulgada em 9 de setembro, Lula aparecia com 55%, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 24% no cenário estimulado. No levantamento divulgado agora, Lula registra 61% e Flávio permanece com 24%.
Isso representa uma variação de seis pontos percentuais para Lula entre os dois levantamentos, enquanto o percentual de Flávio Bolsonaro permaneceu no mesmo patamar.
No segundo turno, a pesquisa anterior apontava Lula com 61% e Flávio com 30%. Agora, o cenário registra 64% contra 28%.
As comparações mostram a variação entre duas fotografias distintas do eleitorado e devem ser interpretadas considerando a margem de erro e o período de realização de cada levantamento.
Renda revela uma das maiores divisões do eleitorado
Um dos recortes mais relevantes está no comportamento eleitoral de acordo com a renda.
Entre os entrevistados que recebem até dois salários mínimos, Lula alcança 71%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 17%.
Na faixa de dois a cinco salários mínimos, a distância diminui: Lula aparece com 49% e Flávio Bolsonaro com 35%.
Entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, o cenário se inverte. Flávio Bolsonaro registra 50%, contra 23% de Lula.
O levantamento, portanto, identifica comportamentos bastante diferentes conforme aumenta a renda dos entrevistados.
Norte e Vale do São Francisco dão 73% a Lula
O detalhamento regional também revela diferenças importantes dentro da Bahia.
Em Salvador, Lula registra 55%, contra 26% de Flávio Bolsonaro.
Na Região Metropolitana de Salvador e Recôncavo, Lula aparece com 64% e Flávio, com 20%.
No Centro-Norte, são 71% para Lula e 16% para Flávio Bolsonaro.
O maior percentual de Lula entre os recortes territoriais apresentados ocorre no Norte e Vale do São Francisco, onde o presidente alcança 73%, contra 16% de Flávio Bolsonaro.
No Sul e Sudoeste, o cenário é de 53% para Lula e 34% para Flávio.
Já no Oeste e Chapada, aparece a menor distância entre os dois: 48% para Lula e 37% para Flávio Bolsonaro.
Os números demonstram que, embora Lula apareça à frente em todos os recortes regionais apresentados pelo levantamento, a dimensão dessa diferença não é uniforme em todo o estado.
Mulheres dão 64% a Lula
O levantamento também apresenta diferenças por gênero.
Entre os homens, Lula aparece com 58%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 28%.
Entre as mulheres, Lula alcança 64%, contra 20% de Flávio Bolsonaro.
Lula chega a 70% entre eleitores com 60 anos ou mais
A idade também produz diferenças relevantes.
Entre os eleitores de 16 a 34 anos, Lula registra 54%, contra 27% de Flávio Bolsonaro.
Entre aqueles com 35 a 59 anos, são 61% para Lula e 26% para Flávio.
No grupo de 60 anos ou mais, Lula alcança 70%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 16%.
Rejeição de Flávio Bolsonaro chega a 58%
Na pergunta de rejeição múltipla, 58% dos entrevistados afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro.
Renan Santos aparece com 40% e Lula, com 31%. Leonardo Avalanche e Ronaldo Caiado registram 26% cada. Romeu Zema e Augusto Cury aparecem com 24% cada.
Como os entrevistados podem indicar mais de um candidato, os percentuais da rejeição múltipla não somam 100%.
Governo Lula tem 65% de aprovação na Bahia
Além da intenção de voto, a Real Time Big Data mediu a percepção dos entrevistados sobre a administração federal.
Segundo o levantamento, 65% aprovam o trabalho do presidente Lula, enquanto 34% desaprovam. Outros 1% não sabem ou não responderam.
Na avaliação qualitativa, 41% classificam o governo como ótimo ou bom, 30% como regular e 28% como ruim ou péssimo. Outros 1% não sabem ou não responderam.
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ANÁLISE DA GUARDIÃ | POR GABRIELLE TRICANICO
A fotografia eleitoral da Bahia apresentada pela Real Time Big Data chama atenção não apenas pela vantagem numérica de Lula, mas pela distribuição desse apoio dentro do estado.
O primeiro ponto é a movimentação entre as duas rodadas do instituto. Lula passou de 55% no levantamento divulgado em 9 de setembro para 61% na pesquisa atual, enquanto Flávio Bolsonaro permaneceu em 24%. Embora pesquisas representem momentos específicos da campanha e não devam ser tratadas como previsão do resultado, a comparação indica uma ampliação da vantagem registrada pelo presidente na amostra baiana.
O segundo ponto está na capilaridade regional. Lula aparece à frente em todos os seis grandes recortes territoriais apresentados pela pesquisa, mas a intensidade varia. No Norte e Vale do São Francisco, chega a 73%. No Oeste e Chapada, registra 48%, diante de 37% de Flávio Bolsonaro. Essa diferença de comportamento mostra que falar em “voto baiano” como um bloco único esconde contrastes importantes dentro do próprio estado.
O terceiro elemento está na renda. Entre quem recebe até dois salários mínimos, Lula tem 71% e Flávio Bolsonaro, 17%. Entre os entrevistados com renda superior a cinco salários mínimos, a situação se inverte: Flávio chega a 50% e Lula fica com 23%. É um dos recortes mais contrastantes de todo o levantamento e ajuda a identificar bases socioeconômicas distintas entre os dois candidatos.
Há ainda um dado politicamente relevante na combinação entre intenção de voto, aprovação presidencial e rejeição. Lula aparece com 61% no cenário estimulado e tem o governo aprovado por 65% dos entrevistados. Flávio Bolsonaro, por sua vez, registra 24% das intenções de voto e 58% de rejeição na pergunta de múltipla escolha.
Para a reta final, a Bahia assume importância não apenas pelo tamanho de seu eleitorado, mas pelo volume de votos que pode produzir na disputa nacional. O estado é o quarto maior colégio eleitoral brasileiro e o maior do Nordeste, o que transforma diferenças percentuais expressivas em um contingente potencialmente relevante de votos.
A leitura da Guardiã é que os dados mostram uma vantagem ampla de Lula entre os entrevistados na Bahia, mas também revelam bolsões eleitorais bastante distintos quando se observam renda, idade, gênero e território. É justamente nesses recortes que está uma das principais chaves para compreender o comportamento eleitoral baiano nesta reta final.
Pesquisa não é resultado de eleição. É uma fotografia estatística do período em que as entrevistas foram realizadas. Até a votação, campanha, mobilização, abstenção e decisões de eleitores ainda podem alterar o cenário encontrado pelos institutos.

