Divergências entre boletim de ocorrência e nota oficial sobre alteração no local do fato levantam suspeitas de fraude processual; Marinha e Polícia Federal apuram o caso
O corpo da segundo-tenente da Marinha do Brasil Beatriz Fickert Santoro, de 33 anos, foi sepultado neste sábado (26) no Cemitério da Saudade, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A engenheira mecânica atuava no Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), localizado na Cidade Universitária, no Butantã, e foi encontrada sem vida em seu alojamento militar na última quinta-feira (24). A causa da morte permanece desconhecida e é alvo de investigações paralelas da Polícia Federal (PF) e da própria Marinha.
O caso envolve controvérsias entre os relatos oficiais. Em nota, a Marinha informou que a oficial foi encontrada “desfalecida” e socorrida de emergência ao Hospital Universitário da USP (HU-USP). No entanto, o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil classifica o episódio como morte suspeita e revela que a médica do hospital se recusou a atestar o óbito, pois Beatriz já teria chegado à unidade sem sinais vitais há mais de duas horas.
O documento policial aponta ainda que o corpo e eventuais pertences foram retirados do alojamento militar antes da realização da perícia técnica no local exato do fato. Diante da alteração da cena original, os investigadores analisam a hipótese de ocorrência de fraude processual. Por se tratar de um estabelecimento sob jurisdição da União, a apuração do caso está sob responsabilidade da Polícia Federal, que aguarda os laudos necroscópicos do Instituto Médico Legal (IML).

