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Eleições 2026: André do Prado leva pacto federativo ao Senado após se consolidar como articulador na Alesp

Presidente da Assembleia Legislativa e ex-prefeito de Guararema defende maior autonomia financeira para Estados e municípios; candidato do PL tenta levar para Brasília experiência municipalista e capacidade de articulação construída no Legislativo paulista.

Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | SÃO PAULO

O candidato ao Senado André do Prado (PL) coloca a revisão do pacto federativo entre as principais bandeiras de sua campanha e leva para a disputa uma trajetória que começou na política municipal de Guararema e chegou ao comando da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Eleito deputado estadual pela primeira vez em 2010, com posse em 2011, André está atualmente em seu quarto mandato consecutivo na Alesp. Desde 2023 preside o Legislativo paulista e, em 2025, foi reeleito para permanecer no comando da Casa durante o biênio 2025–2026.

A trajetória amplia o peso político de sua proposta sobre o pacto federativo. André já esteve dos dois lados da relação entre municípios e Estado: administrou Guararema e, posteriormente, passou a participar diretamente das decisões sobre orçamento, legislação e grandes projetos estaduais.

Agora, pretende levar essa experiência para o Senado.

DO MUNICÍPIO AO CENTRO DAS DECISÕES DE SÃO PAULO

Antes da Alesp, André do Prado foi vereador, presidente da Câmara de Guararema, vice-prefeito, secretário municipal de Saúde e prefeito.

Na Assembleia Legislativa, construiu uma trajetória marcada pela articulação política até chegar à presidência da Casa.

Durante o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Prado tornou-se uma das figuras importantes na relação entre o Palácio dos Bandeirantes e o Legislativo.

Sob sua presidência, a Assembleia analisou e votou projetos considerados prioritários pelo governo estadual, incluindo pautas de grande repercussão política e econômica.

Esse histórico passa a fazer parte do argumento de sua candidatura ao Senado: utilizar em Brasília a capacidade de interlocução construída entre deputados, partidos, municípios e governo estadual.

PACTO FEDERATIVO NO CENTRO DA CAMPANHA

André defende que a atual distribuição de receitas precisa ser rediscutida para ampliar a capacidade financeira dos Estados e, principalmente, das prefeituras.

O argumento central é simples: o cidadão mora no município e é da prefeitura que cobra a solução imediata para grande parte dos problemas cotidianos.

Saúde, educação, mobilidade, infraestrutura, manutenção urbana e serviços básicos recaem diretamente sobre as administrações municipais, enquanto decisões importantes sobre arrecadação e distribuição de recursos permanecem concentradas nas demais esferas da Federação.

É essa relação que André afirma querer rediscutir no Senado.

ANÁLISE | GABRIELLE TRICANICO

A candidatura de André do Prado ao Senado precisa ser observada para além de sua origem em Guararema.

Sua trajetória política mostra uma mudança de escala: saiu da administração de um município do Alto Tietê, chegou ao Legislativo estadual e alcançou a presidência da maior Assembleia Legislativa do país.

Mais importante para compreender sua candidatura é observar o papel político que desempenhou nos últimos anos.

Na presidência da Alesp, André ocupou uma posição estratégica na relação entre o Legislativo e o governo Tarcísio. Projetos relevantes para o Executivo precisaram passar por uma Assembleia formada por diferentes partidos, interesses regionais e bancadas ideologicamente distintas.

Isso ajuda a explicar por que o pacto federativo aparece como uma bandeira coerente com a trajetória que ele tenta apresentar ao eleitor.

André conhece a pressão enfrentada por uma prefeitura porque já foi prefeito. Conhece a negociação regional porque construiu sua base no Alto Tietê. E conhece hoje a relação entre Executivo e Legislativo porque preside a Assembleia de São Paulo.

O Senado seria uma quarta dimensão dessa trajetória: Brasília.

Mas existe uma questão fundamental que a campanha terá de responder.

Defender mais dinheiro para os municípios é uma proposta politicamente compreensível. O desafio está em demonstrar como essa redistribuição será feita, quais receitas deverão ser descentralizadas e quais responsabilidades acompanharão os novos recursos.

O pacto federativo não pode ser reduzido a uma disputa entre São Paulo e Brasília.

No Alto Tietê, Grande ABC, Vale do Paraíba, Litoral Norte e interior, prefeitos administram cidades com capacidades financeiras completamente diferentes. Enquanto alguns municípios possuem arrecadação própria expressiva, outros dependem fortemente de transferências estaduais e federais.

É justamente por isso que o debate precisa avançar.

Se André do Prado pretende transformar o municipalismo em uma de suas principais bandeiras para chegar ao Senado, sua experiência política lhe oferece conhecimento direto das diferentes esferas do poder público. A campanha agora precisará transformar essa experiência em propostas objetivas para responder a uma pergunta que interessa aos 645 municípios paulistas:

quanto do dinheiro arrecadado deve permanecer mais próximo de onde o cidadão efetivamente vive e utiliza os serviços públicos?

Essa discussão pode transformar um tema aparentemente distante — o pacto federativo — em uma das pautas mais concretas da disputa pelo Senado em São Paulo.

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