A terceira fase da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) de Mogi das Cruzes, com apoio da Delegacia Seccional, Central de Polícia Judiciária e SIG, avança nas investigações sobre um suposto esquema de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da Capital paulista. O caso também apura possíveis conexões com lavagem de dinheiro, contratos públicos e articulações políticas.
As diligências abrangem sete municípios paulistas: São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Durante as buscas, os agentes apreenderam celulares, dispositivos eletrônicos, documentos e registros financeiros que deverão ser analisados para auxiliar no mapeamento do fluxo de dinheiro e na identificação da participação de possíveis intermediários.
Na noite desta quinta-feira (17), oito investigados que estavam detidos na sede da DISE de Mogi das Cruzes deixaram o local sob forte escolta policial. A transferência ocorreu de forma fracionada, com duas mulheres e seis homens sendo encaminhados separadamente para unidades prisionais da região.
Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, o delegado titular Fabrício Intelizano, responsável pelas apurações que deram origem ao caso, representou pelas prisões temporárias dos alvos. A Justiça acolheu o pedido e decretou as custódias pelo prazo de 30 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período.
Ao todo, a Justiça expediu 16 mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão. A investigação aponta que representantes ou colaboradores do PCC teriam alcançado 12 das 22 concessionárias de ônibus da Capital paulista.
Entre os alvos está Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, contra quem foi expedido mandado de prisão temporária. Ele não foi localizado nos endereços procurados pelas equipes policiais e passou a ser considerado procurado pelas autoridades.
Em nota enviada à imprensa, Milton Leite negou qualquer envolvimento com a organização criminosa. Segundo o ex-vereador, ele está viajando a trabalho e pretende se apresentar voluntariamente às autoridades no prazo informado de 24 horas.
Também estão entre os investigados Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans e ex-secretário municipal, que foi preso durante a operação; Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL, também detido; e Milton Mello Milreu, apontado como investigado no inquérito policial.
As defesas dos investigados contestam as acusações e a necessidade das prisões cautelares. Os advogados de Levi dos Santos Oliveira, Alexandre Indiane, Rita Albino e Marcelo Galvão, afirmaram que o cliente possui carreira e trajetória profissional ilibadas e sustentaram que a prisão temporária seria desnecessária por ele não possuir histórico criminal.
A defesa de Levi também declarou que ainda não teve acesso integral aos autos do processo, mas que deverá formular os pedidos cabíveis para prestar esclarecimentos e demonstrar a inocência do investigado. Sobre o relacionamento do ex-presidente da SPTrans com políticos, empresários e servidores do setor, os advogados afirmaram que os contatos são decorrentes de sua atividade profissional e não possuem relação com facções criminosas.
Já a defesa de Milton Mello Milreu, em nota assinada pela advogada Elaine Sakaguti (OAB/SP 292.111), informou que trabalha para obter acesso irrestrito ao inquérito e analisar as imputações feitas ao investigado. O comunicado afirma que a defesa tem “plena convicção de que Milton Mello Milreu não possui qualquer envolvimento com os fatos narrados” e reafirma a confiança no devido processo legal e no contraditório.
A Polícia Civil e o Ministério Público continuam as diligências para localizar os demais investigados e analisar o material apreendido durante a operação. As acusações e suspeitas permanecem sob investigação, e os investigados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
