Ricardo Nunes criou grupo de trabalho para analisar investigação que apura suspeitas de infiltração do PCC no transporte coletivo; empresa será notificada e poderá sofrer intervenção
Por Thalyta Andrâde | Segurança Pública | São Paulo
A Prefeitura de São Paulo determinou, nesta quinta-feira (17), o afastamento em até 24 horas dos integrantes da diretoria da A2 Transportes citados na Operação Vectura Corrupta, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. Caso a empresa não cumpra a determinação, a administração municipal informou que poderá realizar uma intervenção.
A decisão foi tomada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) após reunião com representantes da Procuradoria-Geral do Município (PGM), Controladoria-Geral do Município (CGM), SPTrans e Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT). O grupo de trabalho criado pela Prefeitura vai analisar contratos, documentos e eventuais vínculos da A2 com os fatos investigados.
Segundo a Prefeitura, embora o inquérito policial investigue 12 empresas, sete empresas de transporte foram citadas na decisão judicial que autorizou a operação. Destas, seis não operam atualmente na capital. A A2 Transportes é a única das empresas citadas que permanece em operação no sistema municipal. A Transwolff, também mencionada na decisão, deixou de operar na cidade em dezembro de 2025, quando a Prefeitura decretou a caducidade dos contratos e assumiu a gestão dos serviços por meio da SPTrans.
A operação investiga a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo. Segundo a investigação, 12 das 22 empresas que operam na capital estariam, em tese, sob controle direto ou indireto da organização criminosa. A decisão judicial também aponta suspeitas relacionadas à utilização de empresas de transporte, contratos públicos e articulações políticas.
A Prefeitura afirma que já havia adotado medidas contra empresas citadas em investigações anteriores. Em abril de 2024, a administração municipal realizou intervenção na Transwolff e na UPBus, após investigações relacionadas à suspeita de lavagem de dinheiro. Posteriormente, os contratos foram encerrados. No caso da Transwolff, a Prefeitura decretou a caducidade dos contratos em dezembro de 2025 e assumiu a operação das linhas.
Em relação à A2, a administração municipal informou que vai analisar os elementos da nova operação e adotar medidas administrativas e judiciais caso sejam identificadas irregularidades. A Prefeitura também declarou que não compactua com qualquer irregularidade e continuará colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação.
Apesar da operação, a administração municipal informou que o transporte público segue funcionando normalmente nesta quinta-feira (17).
As suspeitas investigadas pela Operação Vectura Corrupta ainda dependem da apuração das autoridades e de análise judicial. Os investigados têm direito à defesa e à presunção de inocência.
