Arquiteta afastada assinou laudo que permitiu continuidade de obra que ruiu e deixou seis mortos na Zona Leste
A Prefeitura de São Paulo apura a existência de possíveis inconsistências patrimoniais e enriquecimento ilícito da arquiteta e fiscal municipal Viviane Rodrigues de Palma. A servidora é a mesma que assinou, em 2024, o laudo de fiscalização que liberou o andamento das obras do edifício na Rua Tequici, na Penha, que desabou no último sábado (12) e deixou seis mortos.
A investigação sobre a conduta financeira da servidora foi instaurada pela Controladoria Geral do Município (CGM) em maio de 2025 para apurar eventuais atos de improbidade administrativa. O processo apontou valores sem justificativa suficiente em sua prestação de contas, exigindo a comprovação da origem dos bens e movimentações financeiras. A gestão municipal informou que o levantamento inicial sobre os fatos teve início em 2020 e segue em andamento.
Atualmente afastada do cargo por 120 dias, a fiscal declarou em depoimento que vistoriou o imóvel apenas pelo lado de fora e que a obra parecia abandonada. A declaração contrasta com o laudo assinado por ela, que atestava a demolição completa de uma estrutura antiga e autorizava a nova construção. Paralelamente à apuração administrativa, a Polícia Civil investiga o caso e deve indiciar a fiscal e três empresários ligados ao empreendimento por homicídio com dolo eventual.
