Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente do Esporte Clube Água Santa, de Diadema, aparece entre os nomes da Operação Vectura Corrupta. Investigação avança pelo Grande ABC, Capital e Baixada Santista e apura suspeitas envolvendo empresas de transporte, agentes políticos e financiamento eleitoral.
Por Gabrielle Tricanico | POLÍTICA E SEGURANÇA | GRANDE ABC E SÃO PAULO
A Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, ganha um novo capítulo de forte repercussão no Grande ABC. Entre os nomes relacionados na investigação está Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente do Esporte Clube Água Santa, de Diadema, além de figuras ligadas ao transporte público e à política paulista.
A operação investiga a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo, além de possíveis conexões com agentes públicos, empresários, advogados e campanhas eleitorais. As diligências alcançam Diadema e São Bernardo do Campo, no Grande ABC, além da Capital, Santana de Parnaíba, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Água Santa coloca Diadema no centro da repercussão
O nome de Paulo Sirqueira Korek Farias aparece na relação de alvos divulgada nesta manhã. Além de comandar o Água Santa, ele é relacionado às empresas Translider e A2 Transportes, segundo informações publicadas sobre a investigação.
A presença de um dirigente de um clube com forte identificação com Diadema amplia a repercussão regional do caso. O Água Santa nasceu na cidade e ganhou projeção no futebol paulista nos últimos anos.
Neste momento, porém, é fundamental separar a existência do mandado das conclusões do processo: a inclusão de Paulo Farias na operação não representa condenação, e caberá à investigação individualizar quais fatos e elementos são atribuídos a ele.
Ex-presidente da SPTrans também aparece na investigação
Outro personagem que passa a ocupar posição central é Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans.
Segundo documentos da investigação divulgados nesta quinta-feira, Levi teria mantido encontros com José Daniel Satilite, apontado pelos investigadores como intermediário do PCC, para tratar de interesses relacionados a empresas de transporte. Essa é uma tese da investigação e ainda deverá ser submetida ao contraditório e à defesa.
A presença de um ex-dirigente da SPTrans dá uma dimensão institucional à apuração porque a investigação não está concentrada apenas em empresários do setor: busca compreender se existia uma rede de influência capaz de alcançar estruturas relacionadas ao transporte público.
Danilo Morgado, do PL, é preso
Na frente política, Danilo Morgado (PL), candidato a deputado estadual em 2026, foi preso nesta quinta-feira durante a operação.
A investigação apura a suspeita de que a campanha de Morgado à Prefeitura de Praia Grande, em 2024, tenha recebido financiamento da facção. Essa suspeita ainda não representa conclusão judicial sobre responsabilidade criminal do candidato.
O caso amplia a dimensão eleitoral da Vectura Corrupta justamente em meio à campanha de 2026.
Milton Leite: “vou me apresentar em até 24 horas”
Outro fato novo envolve Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo.
Os policiais não localizaram Leite no endereço onde pretendiam cumprir o mandado de prisão. Após a operação, o ex-vereador afirmou que está viajando, negou estar fugindo e declarou que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas. Ele também nega envolvimento nas irregularidades investigadas e afirma que provará sua inocência.
Milton Leite teve sete mandatos como vereador e presidiu a Câmara paulistana em quatro períodos. Atualmente, permanece politicamente ativo como presidente municipal do União Brasil e presidente estadual da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.
Os nomes que aparecem na operação
Além de Paulo Farias, Danilo Morgado, Milton Leite e Levi dos Santos Oliveira, a relação divulgada inclui Carla de Paula Muller, Cícero José dos Santos Filho, Edivania Arruda Botelho Alves, Edson Antonio de Souza, Eduardo Medeiros, José Ronaldo Alves de Sales, Julio Salvador Filho, Milton Mello Milreu e Sergio Luiz Gevaerd de Oliveira, entre outros investigados.
Uma das frentes apura ainda a atuação de advogados no núcleo denominado pelos investigadores de “Sintonia dos Gravatas”, suspeito de atuar na defesa e legitimação de interesses da organização criminosa para além do exercício regular da advocacia.
Investigação alcança 12 empresas de ônibus
A dimensão do caso vai além dos nomes conhecidos. Segundo a investigação, 12 empresas de ônibus estariam sob controle financeiro ou operacional da facção, direta ou indiretamente. A operação também busca esclarecer possíveis fraudes em licitações e a participação de agentes políticos e administrativos.
A apuração é consequência de investigações iniciadas em 2024. Dados obtidos em fases anteriores permitiram aos investigadores avançar sobre estruturas financeiras, operadores e, agora, sobre o que as autoridades consideram um possível núcleo de influência política e empresarial.
Análise Guardiã
Para o Grande ABC, a presença do presidente do Água Santa entre os alvos muda o peso regional da notícia. Diadema deixa de aparecer apenas como um dos municípios onde são realizadas diligências e passa a ter um personagem conhecido da vida esportiva da cidade diretamente relacionado à operação.
Ao mesmo tempo, São Bernardo também aparece no mapa das buscas, enquanto a investigação conecta Grande ABC, Capital e Baixada Santista por meio de pessoas ligadas ao transporte, política, empresas e advocacia.
O próximo passo será compreender qual é exatamente a acusação individual contra cada um dos investigados. Estar relacionado a uma operação policial não permite atribuir automaticamente a todos os alvos participação nos mesmos fatos ou o mesmo grau de responsabilidade.
No caso de Milton Leite, as próximas 24 horas também serão decisivas: o ex-presidente da Câmara anunciou publicamente que retornará da viagem e se apresentará às autoridades.
