Coronéis de alta patente aparecem em escutas, mensagens e planilhas de cobrança de propina; apuração paralela envolve pagamentos a agentes da Polícia Civil.
O Ministério Público de São Paulo compartilhou com o Tribunal de Justiça Militar (TJM) dados apurados durante investigações contra uma rede de corrupção e lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A Promotoria busca determinar se oficiais da Polícia Militar cometeram irregularidades funcionais ou transgressões disciplinares ao serem citados em conversas, grupos de mensagens e registros financeiros de alvos detidos na operação.
Entre os oficiais de alta patente identificados nos autos do inquérito constam o coronel José Augusto Coutinho — ex-comandante da Rota e do Policiamento de Choque —, o coronel Luiz Carlos Pereira Martins — diretor de ensino da corporação que mantinha canal de contato direto e grupo de aplicativo com o investigado Cléber Azevedo dos Santos —, e a indicação de um coronel chamado “Patrício”, mencionado em planilhas contábeis da organização criminosa destinadas ao controle de vantagens indevidas. Embora não integrem a lista de 19 denunciados formais nesta fase, a conduta dos militares passa por triagem da Justiça Militar.
Paralelamente, a investigação revelou ramificações no meio policial civil por meio da atuação do advogado Marlon Antonio Fontana. De acordo com os órgãos de controle, ele é investigado na Operação Bazaar por atuar como intermediário no repasse de propinas e vantagens indevidas a agentes de delegacias especializadas da capital.

