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Ninguém está acima da investigação

Por Thiago Prezia

Ser investigado não é o mesmo que ser condenado. Para condenar, é preciso prova e sentença. Para investigar, bastam indícios de que algo precisa ser esclarecido. E é justamente essa pergunta, sobre o que aconteceu, que parte do debate público parece querer evitar no caso que envolve o ministro Alexandre de Moraes, o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Pelo que tem sido divulgado, um relatório da Polícia Federal fala de um contrato milionário ligado ao escritório da família do ministro, de viagens em jatos particulares e de cartões vinculados ao banco. Nada disso, por si só, prova crime. Mas qualquer cidadão comum, diante dos mesmos apontamentos, teria que se explicar.

A defesa do ministro, segundo a imprensa, fala em perseguição política e até em interferência estrangeira nas eleições de 2026, sem dizer quem estaria por trás disso. Todo mundo tem o direito de se defender. O que não dá é tratar qualquer suspeita como tentativa de golpe.

Os familiares do ministro podem, claro, exercer a advocacia. Só que, nessa posição, a transparência precisa ser dobrada. E o fato de Moraes continuar relatando inquéritos contra pessoas que ele mesmo aponta como seus acusadores pede, no mínimo, prudência.

Também é preciso ser justo: relatório policial não é sentença, e Moraes é, sim, alvo frequente de ataques nas redes. Por isso mesmo, o caminho é uma apuração técnica e séria, e não um julgamento feito às pressas. Se não houve nada de errado, a investigação vai ser a maior aliada do próprio ministro. Instituições fortes não são aquelas que ninguém questiona, e sim as que respondem com fatos. Presunção de inocência, sempre. Blindagem, nunca.

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