Candidato a deputado estadual pelo PSD e ex-prefeito de Caraguatatuba questiona concessionária, cobra obras preventivas e diz que Litoral Norte não pode pagar a conta das sucessivas interdições
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | CARAGUATATUBA
A crise provocada pelo fechamento da Serra da Tamoios ganhou um novo componente político no Litoral Norte. Em entrevista à Guardiã da Notícia, diretamente de Caraguatatuba, Antônio Carlos Silva (PSD), candidato a deputado estadual, ex-prefeito da cidade por quatro mandatos e ex-deputado estadual, fez duras cobranças sobre a operação da rodovia e defendeu a suspensão da cobrança do pedágio durante os períodos em que a Serra permanecer fechada.
A declaração ocorre em meio aos transtornos enfrentados por moradores, trabalhadores e turistas durante as interdições provocadas pelas condições meteorológicas e pelos riscos existentes no trecho de serra.
Antônio Carlos questionou a relação entre o pagamento permanente do pedágio e a necessidade de investimentos capazes de reduzir as sucessivas interrupções no principal corredor rodoviário entre o Vale do Paraíba e o Litoral Norte.
“Pedágio não para”, afirmou durante a entrevista. Para o candidato, se o usuário não consegue utilizar normalmente a rodovia, é necessário discutir inclusive a suspensão da cobrança enquanto persistir a interrupção do serviço.
COBRANÇA POR OBRAS PREVENTIVAS
A entrevista ganhou ainda mais força após a discussão sobre pontos da Serra da Tamoios que demandariam intervenções de contenção. Antônio Carlos defendeu acesso aos estudos técnicos e cobrou respostas sobre quais obras precisam ser realizadas para aumentar a segurança e diminuir a necessidade de bloqueios.
O candidato também chamou atenção para uma situação que considera contraditória: segundo ele, antes da implantação do novo trecho da Tamoios também existiam paralisações, mas os episódios teriam se tornado mais recorrentes após a duplicação.
A afirmação representa a avaliação política do candidato e coloca no centro do debate a necessidade de dados técnicos que permitam comparar a frequência, duração e causas das interdições antes e depois da implantação da nova estrutura.
LITORAL NORTE SENTE O IMPACTO
O problema vai muito além do congestionamento.
Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba têm forte dependência do turismo e da circulação pela Tamoios. Quando a Serra fecha, os reflexos podem chegar aos hotéis, restaurantes, comércio, serviços, abastecimento e à própria rotina dos moradores.
Durante a cobertura da Guardiã da Notícia, foram registrados relatos de motoristas enfrentando horas de espera para subir em direção ao Vale do Paraíba ou chegar ao Litoral Norte.
A entrevista também levantou um impacto ainda mais sensível: moradores que precisam deixar a região para consultas, exames e tratamentos médicos podem ter seus deslocamentos comprometidos quando o acesso é interrompido.
“FALTA REPRESENTATIVIDADE”
Antônio Carlos transformou a crise da Tamoios também em argumento eleitoral. Para o candidato, o Litoral Norte sofre com baixa representatividade parlamentar própria e precisa de deputados que acompanhem permanentemente os problemas da região.
Ele defendeu uma atuação mais direta da Assembleia Legislativa na fiscalização e na cobrança de respostas envolvendo a concessão da rodovia, o Governo do Estado e os investimentos em infraestrutura.
Na avaliação do candidato, um parlamentar da região poderia cobrar relatórios técnicos, acompanhar as responsabilidades previstas na concessão e pressionar pela execução das intervenções necessárias.
TURISMO REGIONAL TAMBÉM ENTRA NA PROPOSTA
Além da crise da Tamoios, Antônio Carlos apresentou como uma de suas bandeiras a integração turística entre as quatro cidades do Litoral Norte.
O candidato defende um projeto de turismo náutico regional capaz de conectar Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba e ampliar a circulação de visitantes e a geração de negócios.
A proposta, segundo ele, parte da ideia de que o desenvolvimento do Litoral Norte precisa ser pensado de maneira regionalizada.
A entrevista de Antônio Carlos Silva coloca uma discussão estratégica no centro das eleições de 2026: se o usuário paga para utilizar uma rodovia concedida, o que deve acontecer com a cobrança quando um dos principais acessos permanece fechado?
A Guardiã da Notícia segue acompanhando os impactos das chuvas, a situação da Serra da Tamoios e as cobranças por soluções para a mobilidade do Litoral Norte.
Assista à entrevista completa de Antônio Carlos Silva (PSD) com as jornalistas Gabrielle Tricanico e Fabi Teixeira, diretamente de Caraguatatuba.

