Decisão atinge um nome conhecido da política do extremo sul da Grande São Paulo; candidato do PP teve o registro indeferido, mas defesa ainda pode recorrer
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | EMBU-GUAÇU
A disputa eleitoral de 2026 ganhou um novo capítulo em Embu-Guaçu e na região sul da Grande São Paulo. A Justiça Eleitoral de São Paulo indeferiu, por unanimidade, o registro da candidatura de André George Neres de Farias, o Sargento Neres (PP), que tenta uma vaga de deputado federal pelo estado.
A decisão tem repercussão regional pela trajetória política de Neres, que foi prefeito de Embu-Guaçu e buscava ampliar sua atuação política para Brasília.
Condenação está no centro da disputa
O indeferimento está relacionado a uma condenação por descumprimento de medida protetiva no contexto da Lei Maria da Penha.
Segundo o caso apresentado à Justiça, uma ex-mulher de Neres possuía medida protetiva que estabelecia restrições de aproximação. Durante a campanha municipal de 2024, ele teria entrado em um estabelecimento onde ela se encontrava.
Neres foi denunciado e condenado a quatro meses e 20 dias de detenção. O processo transitou em julgado em junho de 2025, ponto que passou a ter reflexos diretos sobre sua situação eleitoral.
A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) impugnou a candidatura com base nas regras de inelegibilidade previstas na Lei da Ficha Limpa.
Defesa contesta inelegibilidade
A defesa sustenta uma interpretação diferente. O argumento é de que a legislação eleitoral estabelece exceção para determinadas infrações penais consideradas de menor potencial ofensivo.
Também foi apresentado pedido de revisão criminal, no qual a defesa questiona aspectos relacionados à ciência da medida protetiva. Essa revisão, segundo as informações divulgadas, ainda não foi julgada.
Por isso, o indeferimento do registro não deve ser confundido com o encerramento definitivo de toda a discussão jurídica. A defesa ainda busca reverter os efeitos da decisão pelas vias judiciais disponíveis.
Decisão mexe com a política regional
O caso ultrapassa os limites de Embu-Guaçu. Neres buscava utilizar sua projeção política municipal para conquistar votos em outras cidades da região metropolitana e chegar à Câmara dos Deputados.
Na campanha, ele faz dobrada com Danilo Joan (PP). Segundo as informações divulgadas, Neres também recebeu R$ 150 mil da direção nacional do Progressistas para sua campanha.
Uma eventual manutenção definitiva do indeferimento pode interferir na estratégia eleitoral do partido na região, provocando uma reorganização de apoios e da busca pelos votos que estavam sendo trabalhados pela candidatura.
O episódio também coloca Embu-Guaçu no centro de uma discussão jurídica com repercussão estadual, envolvendo os limites impostos pela Lei da Ficha Limpa e a interpretação das exceções previstas na legislação eleitoral.
A situação da candidatura ainda poderá sofrer alterações conforme o andamento dos recursos. A Guardiã da Notícia acompanha o caso e mantém espaço aberto para manifestação da defesa de Sargento Neres e do Progressistas.
