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Santa Catarina acende alerta para avanço do tabagismo e cigarros eletrônicos; SUS oferece tratamento gratuito para quem quer parar

Estado acompanha preocupação com a retomada do consumo de tabaco e a popularização dos dispositivos eletrônicos. Especialistas alertam para dependência de nicotina e riscos à saúde, enquanto a rede pública oferece acompanhamento para quem deseja abandonar o cigarro.

Por Gabrielle Tricanico | SAÚDE | SANTA CATARINA

Santa Catarina volta a colocar o combate ao tabagismo no centro das atenções. O crescimento recente dos indicadores nacionais, somado à presença cada vez maior dos cigarros eletrônicos e outros dispositivos de fumar, reforça um desafio para a saúde pública: impedir que uma nova geração desenvolva dependência de nicotina e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso ao tratamento para quem deseja parar de fumar.

O alerta ganha relevância porque o Brasil vinha acumulando uma trajetória histórica de redução do tabagismo. Dados do Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, apontaram que 11,5% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal declararam ser fumantes, diante de 9,2% registrados em 2023. A comparação, entretanto, exige cautela devido a alterações metodológicas, e a análise estatística da série entre 2019 e 2024 aponta estabilidade do indicador.

Em Santa Catarina, a preocupação não se restringe ao cigarro convencional. Os dispositivos eletrônicos para fumar — conhecidos como vapes, pods ou cigarros eletrônicos — passaram a ocupar espaço importante no debate sobre prevenção, principalmente pela presença entre consumidores mais jovens.

Cigarro eletrônico amplia desafio da prevenção

Os números nacionais ajudam a dimensionar o problema. Em 2024, a proporção de adultos que fumavam cigarros ou utilizavam dispositivos eletrônicos diariamente ou ocasionalmente chegou a 13,1%, diante de 10,7% em 2023. Considerando a série entre 2019 e 2024, porém, a variação é classificada estatisticamente como estável.

O ponto de atenção é que o cigarro eletrônico não deve ser tratado como uma alternativa inofensiva ao cigarro convencional. A dependência de nicotina permanece entre as principais preocupações, além da exposição às substâncias presentes nos aerossóis produzidos pelos equipamentos.

No Brasil, a regulamentação é rigorosa. A RDC 855/2024 da Anvisa mantém proibidas a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda dos dispositivos eletrônicos para fumar. A regra também alcança a importação para uso próprio.

Mais de 10 mil catarinenses procuraram ajuda pelo SUS

Santa Catarina conta com estrutura pública destinada justamente a quem deseja abandonar a dependência.

Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde mostram que, em 2023, 10.744 pessoas procuraram tratamento contra o tabagismo pelo SUS em Santa Catarina. Desse total, 8.236 tinham entre 18 e 60 anos, 2.393 tinham 60 anos ou mais e 115 eram menores de 18 anos.

Entre aqueles que iniciaram o acompanhamento naquele período, 42% conseguiram parar de fumar, segundo os dados estaduais.

O Programa Nacional de Controle do Tabagismo integra o SUS e reúne ações de prevenção e tratamento da dependência da nicotina. Em Santa Catarina, a estratégia é articulada com a rede estadual e os municípios, permitindo que o atendimento esteja mais próximo da população.

Os números também mostram que o tabagismo não deve ser analisado apenas como uma escolha individual. Trata-se de uma questão de saúde pública que envolve prevenção, educação, assistência, fiscalização e políticas voltadas à redução da dependência.

Prestação de serviço: como buscar tratamento gratuito

Quem mora em Santa Catarina e deseja parar de fumar pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou a Secretaria Municipal de Saúde para verificar onde o Programa de Controle do Tabagismo é oferecido em sua cidade.

O tratamento pelo SUS é definido conforme avaliação do paciente e pode incluir acompanhamento profissional, abordagem comportamental e medicamentos quando houver indicação clínica.

A dependência da nicotina pode exigir mais de uma tentativa até que o paciente consiga abandonar definitivamente o consumo. Por isso, o acompanhamento de profissionais de saúde é importante durante o processo.

Jovens estão no centro da preocupação

Um dos maiores desafios para os próximos anos está na prevenção da iniciação ao consumo de nicotina.

A popularização de vapes e pods acrescentou uma nova dimensão ao problema. Produtos com diferentes formatos, aromas e características de consumo passaram a disputar espaço justamente em um momento no qual o Brasil havia conseguido reduzir significativamente a presença social do cigarro tradicional.

Para Santa Catarina, o desafio passa por combinar prevenção nas escolas, orientação às famílias, fiscalização da comercialização irregular, conscientização sobre os riscos dos dispositivos eletrônicos e ampliação do acesso ao tratamento pelo SUS.

Mais do que acompanhar os indicadores, o avanço do cigarro eletrônico exige atenção permanente das autoridades de saúde. O objetivo é impedir que uma nova geração de consumidores de nicotina comprometa parte dos resultados conquistados pelo país nas últimas décadas de combate ao tabagismo.

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