Vereador do PL deixa a Câmara antes da análise do relatório final de investigação que apurava suposta quebra de decoro; caso provoca impacto político e abre uma nova etapa no Legislativo de São Caetano do Sul
Por Gabrielle Tricanico | POLÍTICA | SÃO CAETANO DO SUL
A política de São Caetano do Sul, no Grande ABC, ganhou um novo capítulo com forte repercussão regional. O vereador Matheus Gianello (PL) apresentou carta de renúncia ao mandato enquanto era alvo de uma comissão processante instaurada para investigar suposta quebra de decoro parlamentar.
A decisão foi comunicada na sexta-feira (28), poucos dias antes da previsão de análise do relatório final da comissão em plenário. A sessão extraordinária estava prevista para segunda-feira (31), segundo as informações divulgadas sobre o caso.
A saída antecipada do parlamentar muda o cenário político dentro da Câmara e interrompe, pelo menos em relação ao mandato agora renunciado, uma disputa que caminhava para um momento decisivo no Legislativo.
Comissão apontava cinco possíveis irregularidades
De acordo com as informações divulgadas, a comissão processante havia relacionado cinco supostas irregularidades político-administrativas, que seriam submetidas individualmente à apreciação dos vereadores.
Entre os pontos atribuídos à investigação estavam suspeitas relacionadas à atuação de assessores no gabinete parlamentar e à existência de uma estrutura descrita no parecer como uma espécie de “gabinete paralelo”, formada por pessoas que, segundo a apuração mencionada, não possuíam vínculo formal com o Legislativo.
Também havia questionamentos sobre a atuação e estrutura de pessoal vinculadas ao gabinete. As acusações, contudo, devem ser tratadas como apontamentos da investigação e não como condenações definitivas.
Renúncia acontece em momento de pressão política
O momento escolhido para a renúncia amplia o peso político da decisão. Gianello deixa o cargo justamente quando a comissão chegava à fase final e o plenário se preparava para apreciar suas conclusões.
Advogado e ex-secretário de Planejamento do município, Gianello construiu sua trajetória política ligado ao grupo do ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSD). Por isso, o episódio ultrapassa a situação individual do ex-vereador e ganha dimensão dentro da reorganização das forças políticas de São Caetano.
A renúncia também deverá produzir efeitos imediatos na composição da Câmara, com a necessidade de definição sobre a ocupação da cadeira deixada pelo parlamentar, conforme as regras eleitorais aplicáveis.
Caso movimenta o tabuleiro político do ABC
Em pleno ano eleitoral de 2026, a crise chega em um momento especialmente sensível para os grupos políticos do Grande ABC. São Caetano possui peso estratégico nas articulações regionais e mantém forte interlocução com lideranças estaduais.
Agora, as atenções se voltam para os próximos movimentos da Câmara: os efeitos formais da renúncia, o destino dos trabalhos da comissão processante e quem assumirá a vaga são pontos que passam a integrar o centro do debate político municipal.
Para o eleitor de São Caetano, o episódio também coloca novamente em discussão temas como fiscalização parlamentar, estrutura dos gabinetes, transparência no uso de recursos públicos e responsabilidade política dos representantes eleitos.
