João Bacelar sobe ao palanque do governador petista, usa adesivo com o número 13 e expõe movimento que atravessa as fronteiras partidárias na disputa pelo Governo da Bahia
Por Gabrielle Tricanico | POLÍTICA | BAHIA
A corrida eleitoral na Bahia ganhou um episódio de forte repercussão política neste fim de semana. O deputado federal João Bacelar, filiado ao PL, participou de um ato de campanha do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e declarou publicamente apoio à reeleição do petista, apesar de seu partido estar no campo adversário da disputa estadual.
O movimento ocorreu durante comício realizado em Ribeira do Pombal, no interior baiano. No palco, Bacelar apareceu ao lado de Jerônimo e de lideranças que integram a base política do governador. O parlamentar também exibiu um adesivo com o número 13, utilizado pelo PT nas urnas.
A decisão chama atenção justamente pelo cenário partidário. Na Bahia, o PL integra o campo político que apoia ACM Neto na disputa pelo governo estadual. A manifestação de Bacelar, portanto, representa um apoio individual que contraria o alinhamento eleitoral adotado pela legenda no estado e evidencia as articulações regionais que ultrapassam as fronteiras formais entre partidos.
Segundo informações divulgadas sobre o evento, o ato reuniu cerca de 10 mil pessoas, além de 26 prefeitos e ex-prefeitos da região. Diante do público, Bacelar confirmou que seguirá ao lado de Jerônimo Rodrigues na corrida pelo Palácio de Ondina.
A presença do deputado do PL também reforça uma estratégia importante para a campanha de Jerônimo: ampliar alianças no interior e atrair lideranças que não pertencem formalmente à coligação governista.
O comício contou ainda com a participação de lideranças políticas de diferentes municípios e dos candidatos ao Senado Jaques Wagner e Rui Costa, ampliando o peso político da agenda.
Com a campanha de 2026 avançando, episódios como o de Ribeira do Pombal mostram que a disputa na Bahia poderá ser marcada não apenas pela polarização entre partidos, mas também por apoios cruzados, alianças municipais e decisões individuais de lideranças com influência regional.
Para o eleitor, o movimento também coloca uma questão no centro da campanha: até que ponto as estruturas partidárias conseguirão manter suas bases alinhadas às decisões oficiais das legendas durante a disputa pelo governo estadual?
