Novo Port Community System conecta empresas, operadores e órgãos públicos em uma única plataforma; sistema já ultrapassou mil transações e promete reduzir burocracia, tempo de cargas e custos logísticos.
Por Gabrielle Tricanico | LITORAL NORTE | SÃO SEBASTIÃO
O Porto de São Sebastião entra em uma nova etapa de modernização logística e tecnológica. A Companhia Docas de São Sebastião colocou em operação o Port Community System (PCS), plataforma digital que centraliza informações e conecta os diferentes agentes envolvidos na movimentação portuária.
O sistema começou a operar na última sexta-feira (14) e nasce com uma missão estratégica: reduzir processos manuais, acelerar a circulação de informações e aumentar a previsibilidade das operações realizadas em um dos principais equipamentos logísticos do Litoral Norte paulista.
Porto conectado em tempo real
Na prática, o PCS cria um ambiente digital compartilhado entre autoridades portuárias, operadores, transportadores, agentes de carga e órgãos responsáveis por autorizações e liberações.
Informações que antes poderiam depender de diferentes procedimentos, documentos e interlocutores passam a ser acompanhadas dentro de uma mesma estrutura digital.
Mesmo em sua fase inicial, os números demonstram adesão à ferramenta: 50 empresas já utilizam o sistema, 47 usuários estão cadastrados e mais de mil transações foram realizadas.
A plataforma permite acompanhar exigências regulatórias e pendências documentais, monitorar a movimentação terrestre das cargas, administrar acessos e agendamentos e consultar indicadores relacionados à operação e aos custos.
Menos burocracia e mais previsibilidade
A digitalização pode produzir um efeito que vai além da substituição do papel. Ao reunir informações sobre diferentes etapas da operação, o porto busca diminuir gargalos e ampliar a capacidade de planejamento de empresas e operadores.
Outro ponto estratégico é a rastreabilidade. As etapas percorridas por uma demanda ficam registradas no ambiente digital, facilitando o acompanhamento dos processos e a identificação de eventuais pendências.
Segundo o presidente do Porto de São Sebastião, Ernesto Sampaio, a expectativa é reduzir o tempo de permanência das cargas no terminal e melhorar a tomada de decisão dos participantes da operação.
Tecnologia também pode impactar circulação no entorno
Para São Sebastião e o Litoral Norte, a modernização tem uma dimensão que ultrapassa os limites físicos do porto.
A organização de acessos, agendamentos e movimentações terrestres pode contribuir para um fluxo logístico mais coordenado, especialmente em uma região na qual atividade portuária, circulação urbana e deslocamentos rodoviários convivem no mesmo território.
A expectativa é reduzir deslocamentos desnecessários de veículos associados à operação, o que também pode representar menor consumo de combustível e redução das emissões relacionadas à logística.
A diminuição do uso de documentos impressos acrescenta outro componente ambiental ao projeto.
Digitalização reforça competitividade logística
A implantação do PCS também deve ser observada sob a perspectiva econômica. Em operações portuárias, tempo, previsibilidade e disponibilidade de informações têm impacto direto sobre custos.
Quanto maior a integração entre empresas, transportadores, operadores e poder público, maior tende a ser a capacidade de antecipar problemas e organizar a cadeia logística.
O desenvolvimento da plataforma considerou demandas apresentadas pela própria comunidade portuária. A Companhia Docas prevê ampliar gradualmente suas funcionalidades conforme novos participantes sejam incorporados.
Operadores, agentes de carga, despachantes e demais integrantes da comunidade portuária podem solicitar credenciamento para utilização da ferramenta.
Com o novo sistema, São Sebastião avança na digitalização de sua infraestrutura portuária e coloca tecnologia, integração logística e rastreabilidade no centro da estratégia de modernização do porto, com reflexos potenciais sobre competitividade, eficiência e desenvolvimento econômico do Litoral Norte.
