Investigação da Dise aponta que grupo ligado a traficantes envolvidos em confronto com a Polícia Federal continuava mapeando áreas vulneráveis próximas ao maior aeroporto paulista para introduzir cocaína clandestinamente no terminal.
Por Gabrielle Tricanico | GUARULHOS E ALTO TIETÊ
A atuação de grupos especializados em introduzir drogas clandestinamente no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, volta a colocar no centro do debate a segurança de um dos principais equipamentos estratégicos do país. Mesmo após um tiroteio entre criminosos e agentes da Polícia Federal, ocorrido em 31 de julho, suspeitos conhecidos como “ninjas” teriam continuado operando e monitorando pontos vulneráveis no entorno do terminal.
Quatro homens foram presos na terça-feira (11) durante uma ação da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Guarulhos. Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles com base na investigação policial, parte dos suspeitos é moradora da região da Comunidade do Portugal, nas proximidades do aeroporto.
O termo “ninjas” é utilizado para identificar integrantes de grupos que atuariam de maneira clandestina no entorno do terminal. A estratégia investigada envolve reconhecimento do terreno, circulação por áreas de mata e identificação de pontos frágeis do perímetro para permitir a entrada de carregamentos de cocaína na área aeroportuária.
Grupo estaria ligado a criminosos envolvidos em tiroteio
A prisão ganha maior dimensão porque, de acordo com o delegado Alexandre Cavalheiro, responsável pela Dise de Guarulhos, o grupo detido teria ligação direta com traficantes envolvidos no confronto armado com agentes federais em 31 de julho.
Naquela ocorrência, cerca de dez criminosos, alguns deles armados com fuzis, teriam entrado em confronto com policiais após uma tentativa de introduzir drogas no aeroporto ser descoberta. Posteriormente, três suspeitos relacionados ao episódio foram presos em uma operação envolvendo forças de segurança.
A nova investigação indica, portanto, que a pressão policial não teria encerrado a tentativa de exploração das vulnerabilidades existentes no entorno do aeroporto.
Segundo o relatório citado na reportagem, os suspeitos continuavam realizando o mapeamento de áreas consideradas vulneráveis, preparando uma possível nova entrada de entorpecentes. A ação foi identificada e interrompida pelos investigadores antes que o plano fosse executado.
Entorno do aeroporto vira ponto estratégico para o tráfico
A localização transforma o caso em uma questão especialmente relevante para Guarulhos e toda a Região Metropolitana de São Paulo. O Aeroporto Internacional de São Paulo é uma das principais portas de entrada e saída do Brasil e concentra conexões nacionais e internacionais, o que também o torna alvo estratégico de organizações criminosas interessadas no tráfico internacional de drogas.
De acordo com as informações da investigação, uma das estratégias atribuídas aos criminosos seria acessar o perímetro aeroportuário a partir de comunidades e áreas próximas, inclusive mediante o rompimento de grades.
O caso evidencia um desafio que ultrapassa os limites internos do aeroporto: a segurança do terminal está diretamente relacionada ao controle territorial e ao monitoramento permanente de seu entorno.
Para Guarulhos, a sucessão de episódios também amplia a necessidade de integração entre Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Militar, administração aeroportuária e demais órgãos responsáveis pela segurança.
Segurança de Guarulhos sob pressão
A prisão dos quatro suspeitos mostra que as investigações avançaram, mas também revela a persistência das organizações interessadas em utilizar o aeroporto como corredor para o narcotráfico.
Depois de um confronto envolvendo criminosos armados com fuzis e da identificação de uma possível nova tentativa de invasão, a atenção agora se volta para a capacidade das forças de segurança de fechar definitivamente as rotas clandestinas existentes no perímetro.
Em uma cidade que abriga o maior aeroporto do país em movimentação internacional e um dos principais centros logísticos da América Latina, a segurança do entorno de Cumbica deixa de ser apenas uma questão aeroportuária e passa a ser um problema estratégico para Guarulhos, São Paulo e o Brasil.