por Thiago Prezia
Registradas as candidaturas e liberada a propaganda, o país entra oficialmente na disputa de 2026. E o debate vai se organizar em torno de dois ou três nomes o que é pouco, e é onde o eleitor conservador costuma errar.
A eleição não é só direita contra esquerda. Há um terceiro personagem, e ele não disputa o Planalto: disputa o preço da governabilidade.
Centrão não é centro. Centro é doutrina; o centrão tem calendário, e o calendário dele é o do Orçamento. Aprovou a agenda de Dilma até aprovar o impeachment de Dilma.
Sustentou Temer. Compôs o governo Bolsonaro. Semanas depois, já estava à mesa do lado oposto. Três governos incompatíveis numa década, os mesmos partidos nas mesmas cadeiras. Não é habilidade política; é ausência de conteúdo.
A esquerda ao menos é adversário declarado: tem projeto e você sabe onde ela está. O centrão não está em lugar nenhum e está em todos ao mesmo tempo. Adversário se enfrenta; sócio eventual apenas cobra e tudo o que a esquerda quer aprovar acaba aprovado, só que mais caro.
A massa segue a mesma lógica, não escolhe lado, adere a quem está ganhando. Quem distribui, vence. Por isso, quando o PT ganha, o centrão trabalha para o PT.
Não se aluga uma maioria, constrói-se uma. O horário eleitoral vai discutir dois nomes. O país precisa discutir quinhentos e treze.
