A 1ª E ÚNICA RÁDIO DE MÚSICA ELETRÔNICA COM JORNALISMO DO BRASIL

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

André do Prado amplia ofensiva contra Salles e obtém nova vitória no TRE-SP na disputa pelo Senado

Justiça Eleitoral determina retirada de publicação contra o presidente da Alesp; embate entre André do Prado e Ricardo Salles transforma as redes e os tribunais em uma das primeiras arenas da eleição para o Senado em São Paulo

Por Gabrielle Tricanico | Eleições 2026 | São Paulo

A disputa pelas duas cadeiras de São Paulo no Senado Federal ganhou um novo capítulo na Justiça Eleitoral. O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), obteve nova decisão favorável no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) em uma representação envolvendo conteúdo contrário à sua candidatura e associado ao adversário Ricardo Salles (Novo).

A decisão desta quarta-feira (12) determinou que a Meta, responsável pelo Instagram, retire uma publicação do ar no prazo de 24 horas. Segundo a decisão divulgada sobre o caso, há previsão de multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 50 mil, em caso de descumprimento.

A representação foi apresentada por André do Prado contra Ricardo Salles e contra o responsável, ainda não identificado, pelo perfil denominado “Ricardo Salles Senador SP”.

A publicação questionada afirmava que o eleitor “não pode” votar em André do Prado. Para a Justiça Eleitoral, a forma como a mensagem foi construída ultrapassou os limites de uma manifestação política comum e apresentou características capazes de configurar pedido de não voto durante período em que a propaganda eleitoral ainda estava submetida às restrições da legislação.

A relatora Domitila Manssur considerou também o contexto visual da publicação. Conforme trecho da decisão divulgado sobre o processo, a composição gráfica, a utilização de fotografias de agentes políticos e o destaque dado aos nomes confeririam à mensagem “feição eleitoral” e finalidade persuasiva perante o eleitorado.

A batalha da direita paulista chega aos tribunais

O episódio vai além de uma disputa isolada por uma postagem. André do Prado e Ricardo Salles disputam diretamente uma parcela semelhante do eleitorado conservador paulista, e o confronto entre os dois vem se intensificando à medida que a campanha avança.

Salles tem adotado uma estratégia pública de questionar a identidade política de André do Prado dentro da direita. Em julho, chegou a classificar o presidente da Alesp como representante do “centrão” e afirmou que Prado não teria trajetória histórica no campo conservador.

André, por sua vez, entra na eleição amparado por uma estrutura política relevante. Presidente da Assembleia Legislativa, construiu forte presença municipalista ao longo dos últimos anos e mantém proximidade com prefeitos, vereadores e lideranças principalmente no interior, na Região Metropolitana, no Alto Tietê e em diferentes regiões do Estado.

A candidatura também está inserida no campo político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), cuja força eleitoral tende a desempenhar papel importante na corrida pelo Senado.

O conflito, portanto, tem uma dimensão estratégica: quem conseguirá ocupar perante o eleitor a posição de candidato competitivo da direita ao Senado por São Paulo?

Salles já havia sofrido outras decisões eleitorais

A nova determinação não é o primeiro confronto judicial envolvendo os dois candidatos.

Em julho, o TRE-SP determinou a retirada de um vídeo em que Salles afirmava que André do Prado não seria um candidato de direita. Na ocasião, a Justiça identificou indícios de propaganda eleitoral negativa impulsionada e problemas relacionados ao emprego de imagens manipuladas digitalmente sem a identificação exigida pelas regras eleitorais.

Mais recentemente, Salles também foi multado pela Justiça Eleitoral em R$ 10 mil por propaganda eleitoral antecipada e impulsionamento ilícito de conteúdo negativo contra André do Prado. A decisão envolveu vídeo com críticas ao adversário e utilização de imagens digitalmente manipuladas sem a advertência exigida pelas normas eleitorais. Salles contestou a decisão. (Folha de S.Paulo⁠)

A sequência de processos mostra que a disputa paulista pelo Senado já deixou de acontecer exclusivamente nos palanques.

A Justiça Eleitoral tornou-se uma das frentes da guerra política entre os candidatos.

Pesquisas mostram disputa apertada e explicam acirramento

O aumento da temperatura ocorre em um cenário no qual cada ponto percentual pode ser decisivo.

Pesquisa Ideia/ACSP divulgada em agosto colocou Simone Tebet com 26,8%, Marina Silva com 23,3%, Guilherme Derrite com 19,4%, André do Prado com 19% e Ricardo Salles com 16,4%. O levantamento ouviu 1.800 eleitores entre 5 e 8 de agosto e tem margem de erro de 2,3 pontos percentuais. (UOL Notícias⁠)

Outro levantamento, do Paraná Pesquisas, realizado entre 25 e 28 de julho, apresentou cenário diferente: Marina Silva marcou 31%, Simone Tebet 30,7%, Guilherme Derrite 24,8%, Ricardo Salles 19,2% e André do Prado 13,5%. A pesquisa ouviu 1.680 eleitores em 79 municípios paulistas e tem margem de erro de 2,4 pontos percentuais. (UOL Notícias⁠)

As diferenças entre os levantamentos reforçam que a corrida pelas duas vagas permanece aberta, especialmente entre os candidatos que buscam consolidar o eleitorado de centro-direita e direita.

Divisão do voto conservador vira ponto central da eleição

A eleição paulista para o Senado tem uma característica que aumenta a tensão entre aliados e adversários do mesmo campo ideológico: em 2026, cada eleitor paulista poderá escolher dois candidatos ao Senado, já que estarão em disputa duas das três cadeiras do Estado.

Isso transforma a formação de dobradinhas e a transferência de votos em elementos centrais da estratégia eleitoral.

Quanto maior a pulverização entre candidatos identificados com a direita, maior a possibilidade de concorrentes de outros campos políticos conquistarem espaço. O próprio Salles já declarou publicamente preocupação com essa divisão do eleitorado conservador. (BOL⁠)

É exatamente nesse terreno que acontece o confronto com André do Prado.

Enquanto Salles tenta disputar o eleitor mais ideológico e diretamente identificado com o bolsonarismo, André trabalha uma composição que combina direita, municipalismo, estrutura partidária e proximidade com o governo Tarcísio.

A batalha, portanto, não é apenas por uma cadeira.

É pela construção de uma identidade eleitoral capaz de transformar apoio político em voto.

Análise | A Justiça começa a delimitar o tom da campanha

A sucessão de decisões envolvendo André do Prado e Ricardo Salles sinaliza ainda outro elemento importante das eleições de 2026: a Justiça Eleitoral tende a acompanhar de perto a propaganda digital, especialmente impulsionamentos, ataques contra adversários, conteúdos manipulados e mensagens interpretadas como pedidos antecipados de voto ou de não voto.

Para André do Prado, as decisões favoráveis produzem também um efeito político. Sua campanha passa a utilizar institucionalmente os mecanismos eleitorais para reagir aos ataques e impedir que determinadas narrativas ganhem escala nas redes sociais.

Para Salles, o desafio será manter uma campanha marcada pelo enfrentamento político sem ultrapassar as fronteiras estabelecidas pela legislação eleitoral.

A disputa entre os dois antecipa o que pode ser uma das guerras mais duras da eleição paulista.

Com duas vagas para o Senado, candidatos competitivos de diferentes campos políticos e uma direita dividida sobre quem representa melhor seu eleitorado, São Paulo caminha para uma campanha na qual redes sociais, palanques, pesquisas e tribunais terão peso simultâneo.

E, antes mesmo de a campanha entrar em sua fase mais intensa, André do Prado e Ricardo Salles já transformaram a corrida pelo Senado em um confronto direto pelo comando do voto conservador paulista.

Rádio - Clínica Santa Marcia
São Paulo
Estados