Mesmo liderando pesquisas de intenção de voto, ex-senador do MDB afirma que faltou unidade política para viabilizar sua candidatura e descarta disputar o cargo fora da aliança governista.
Por Gabrielle Tricanico | Política | Eleições 2026
O ex-senador Álvaro Dias (MDB) anunciou nesta segunda-feira (3) que não será candidato ao Senado Federal pelo Paraná nas eleições de 2026. A decisão surpreendeu o cenário político nacional porque o emedebista aparecia entre os favoritos nas pesquisas de intenção de voto para uma das duas vagas em disputa.
Em carta aberta divulgada nas redes sociais, Álvaro Dias afirmou que a candidatura se tornou inviável diante da falta de consenso dentro do grupo político liderado pelo governador Ratinho Junior (PSD). Segundo ele, o apoio popular não foi suficiente para superar as negociações e os interesses partidários que definem a composição da chapa majoritária.
O ex-senador destacou que não pretende lançar uma candidatura independente nem romper com o grupo político. Na avaliação de Dias, insistir na disputa poderia aprofundar divisões internas em um momento considerado estratégico para a base governista.
A desistência ocorre poucos dias após a consolidação da aliança entre MDB e PSD no Paraná, que oficializou Rafael Greca como candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Sandro Alex (PSD). Paralelamente, a disputa pelas vagas ao Senado tornou-se um dos principais focos de tensão entre as lideranças estaduais, especialmente pela presença de pré-candidaturas já apoiadas pelo grupo governista, como Alexandre Curi (Republicanos) e Cristina Graeml (PSD).
Nos bastidores, a retirada de Álvaro Dias é interpretada como um gesto para preservar a unidade da coalizão de Ratinho Junior, mas também evidencia o peso das negociações partidárias sobre candidaturas competitivas. O episódio reforça que, nas eleições de 2026, as articulações internas têm sido determinantes para a formação das chapas, muitas vezes superando o desempenho dos candidatos nas pesquisas eleitorais.
A decisão redesenha o cenário da corrida ao Senado no Paraná e fortalece os nomes que permanecem na disputa dentro da base aliada, enquanto abre espaço para uma reorganização das estratégias eleitorais da oposição e dos demais partidos nas próximas semanas.
