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PM Gisele: fase decisiva da investigação começa com audiências na Justiça de São Paulo

Delegado, peritos e testemunhas serão os primeiros ouvidos em processo que apura a morte da policial militar; oficial acusado responde por feminicídio e fraude processual

Por Gabrielle Tricanico | Segurança Pública | A Guardiã da Notícia

O caso da policial militar Gisele Alves Santana, que comoveu São Paulo e ganhou repercussão nacional, entra em uma nova etapa nesta semana. A partir de 29 de junho, o Fórum Criminal da Barra Funda inicia as audiências de instrução que irão definir se o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Ao longo dos primeiros dias de audiência, serão ouvidos o delegado responsável pela investigação, peritos que atuaram na análise da cena da morte, policiais que atenderam a ocorrência, além de pessoas próximas à vítima. Ao todo, mais de 40 testemunhas foram arroladas entre acusação e defesa. Segundo o cronograma judicial, os depoimentos devem ocorrer entre os dias 29 de junho e 2 de julho, enquanto o interrogatório do acusado está previsto para o dia 3 de julho.

A investigação mudou de rumo após laudos periciais apontarem inconsistências na hipótese inicial de suicídio. Exames realizados pela Polícia Civil identificaram lesões compatíveis com agressões anteriores ao disparo fatal, além de divergências entre a versão apresentada pelo oficial e os elementos encontrados pelos investigadores. O Ministério Público sustenta a acusação de feminicídio e fraude processual.

Preso preventivamente desde março, o tenente-coronel nega as acusações. Paralelamente ao processo criminal, ele também responde a um Conselho de Justificação na Polícia Militar, procedimento que pode resultar na perda do posto e da patente.

Análise

O início das audiências marca o momento mais importante do caso desde a prisão do oficial. É nesta fase que a Justiça irá confrontar laudos técnicos, depoimentos e provas produzidas ao longo da investigação. A expectativa é que os relatos dos peritos e do delegado responsável tenham peso significativo na formação do convencimento do juiz.

Mais do que um caso criminal, o episódio abriu um amplo debate sobre violência contra a mulher, relações de poder dentro das corporações e a necessidade de mecanismos mais eficazes para identificação de sinais de violência doméstica, mesmo entre agentes de segurança pública. O desfecho desta etapa poderá definir os próximos capítulos de uma das investigações mais acompanhadas do Estado de São Paulo em 2026.

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