Possível composição envolvendo Paulo Serra, Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas altera o tabuleiro político paulista e pode influenciar diretamente a disputa de 2026.
ANÁLISE | GABRIELLE TRICANICO
Na política, os sinais mais importantes nem sempre são dados nos palanques. Muitas vezes, eles surgem nos bastidores, em encontros estratégicos, agendas discretas e imagens que carregam mensagens para quem acompanha os movimentos do poder.
Foi exatamente isso que chamou atenção nesta semana após uma publicação feita pelo prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), ao lado do secretário estadual de Governo, Roberto Carneiro (Republicanos). Entre os dois, um nome ganhou destaque entre lideranças políticas e interlocutores do governo: Acácio Miranda.
Coordenador político de Paulo Serra e um dos articuladores mais experientes do grupo político que se consolidou no Grande ABC nos últimos anos, Acácio aparece cada vez mais inserido nas discussões que envolvem o futuro eleitoral do Estado de São Paulo.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que ele pode estar conduzindo uma das negociações mais relevantes da pré-campanha de 2026: a construção de uma composição política capaz de retirar Paulo Serra da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes e aproximá-lo do projeto liderado pelo governador Tarcísio de Freitas.
A hipótese ganhou força justamente porque a presença de Acácio ao lado de Ricardo Nunes e Roberto Carneiro não foi interpretada como um encontro casual. Pelo contrário. O movimento foi lido por diferentes lideranças como uma demonstração de alinhamento político e abertura de diálogo entre grupos que terão papel decisivo na sucessão estadual.
Caso a construção avance, Paulo Serra poderia deixar de disputar o Governo do Estado para integrar uma composição política mais ampla, seja ocupando espaço estratégico em futuras estruturas administrativas ou fortalecendo uma aliança capaz de ampliar a base de apoio do atual governador.
O cenário tem impacto direto sobre a eleição de 2026.
Hoje, uma candidatura própria de Paulo Serra é vista por diversos analistas como um fator que poderia fragmentar o eleitorado de centro e centro-direita. Em uma disputa apertada, essa divisão poderia abrir espaço para candidaturas da oposição avançarem com maior competitividade ao segundo turno.
Por outro lado, uma eventual composição antecipada consolidaria forças políticas importantes em torno do grupo governista e reduziria o risco de dispersão eleitoral.
Outro ponto observado nos bastidores é que qualquer movimentação envolvendo Paulo Serra produz reflexos imediatos em outras lideranças estaduais. Nomes como Márcio França acompanham atentamente o redesenho das alianças, sabendo que qualquer mudança no tabuleiro pode alterar estratégias e posicionamentos para a disputa majoritária.
Mas, neste momento, o personagem que mais desperta atenção não é necessariamente Paulo Serra.
É Acácio Miranda.
Enquanto muitos observam os possíveis candidatos, Acácio vem se consolidando como um dos principais articuladores das conversas que podem definir o futuro político paulista. Sua proximidade com lideranças influentes, sua capacidade de diálogo e sua presença em espaços estratégicos o colocam no centro de uma negociação que ultrapassa partidos e interesses regionais.
O storie divulgado nesta quinta-feira (18), pode ter sido apenas um registro institucional. Mas, para quem acompanha os bastidores da política paulista, ela também pode representar o primeiro sinal público de uma articulação que tem potencial para mudar os rumos da eleição para o Governo de São Paulo em 2026.
E se a composição se confirmar, o encontro entre Ricardo Nunes, Roberto Carneiro e Acácio Miranda poderá ser lembrado como um dos marcos políticos mais importantes da construção desse novo cenário.
