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Caraguatatuba: Banda Municipal em procissões católicas levanta questionamentos sobre uso de estrutura pública

Denúncias apontam oito pedidos da Igreja em nove fins de semana; espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura, Fundacc e Cúria

A participação recorrente da Banda Municipal Carlos Gomes em procissões e atividades religiosas ligadas à Igreja Católica em Caraguatatuba será alvo de questionamentos da reportagem à Prefeitura, à Fundacc, à Cúria Diocesana e à Catedral Divino Espírito Santo.

Segundo denúncias recebidas, entre 3 de abril e 31 de maio de 2026, teriam sido feitos oito pedidos de participação da Banda Municipal em eventos religiosos. O período compreende nove fins de semana, o que levanta questionamentos sobre a frequência do uso de uma estrutura pública municipal em atos de natureza confessional.

A principal dúvida é se uma banda mantida com recursos públicos pode ser utilizada de forma recorrente em procissões, missas e celebrações religiosas sem ferir princípios da administração pública, como impessoalidade, moralidade, isonomia, finalidade pública e laicidade do Estado.

A reportagem também recebeu relatos de desconforto entre músicos e fiéis. De acordo com as informações, alguns participantes teriam estranhado a presença da banda em atos litúrgicos, especialmente pela execução de dobrados e repertório típico de banda marcial durante celebrações religiosas. Músicos, inclusive católicos, também teriam manifestado incômodo com a convocação frequente para esse tipo de apresentação.

A reportagem teve acesso a um pedido da Catedral Divino Espírito Santo, datado de 25 de fevereiro de 2026, solicitando à Fundacc a presença da Banda Municipal Carlos Gomes em um evento no dia 3 de abril. A denúncia aponta que a solicitação não seria um caso isolado.

Outro ponto que será apurado é se, quando a Banda Municipal não pode se apresentar, outra banda ou grupo musical é contratado para atender eventos religiosos, e se esses custos são pagos pela administração pública, pela Igreja ou por terceiros.

A reportagem vai solicitar à Prefeitura de Caraguatatuba e à Fundacc o relatório de atividades da Banda Municipal Carlos Gomes em 2026, incluindo agenda, datas, locais, fotos, responsáveis pelos pedidos e finalidade das apresentações.

A Cúria Diocesana e a Catedral Divino Espírito Santo também serão procuradas para informar quantas solicitações foram feitas neste ano, se os pedidos se referem a atividades culturais ou religiosas e como avaliam o uso de uma estrutura pública municipal em atos de fé.

O espaço para manifestação está aberto desde terça-feira (26) à Prefeitura, à Fundacc, à Cúria Diocesana e à Catedral Divino Espírito Santo.

O questionamento não envolve a fé dos participantes nem a tradição religiosa do município. O ponto central é esclarecer se uma banda pública municipal está sendo usada de forma recorrente em atos religiosos específicos, se há critério isonômico para outras religiões e eventos, e se a prática respeita a finalidade pública, a liberdade de crença dos músicos e o princípio do Estado laico.

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