Polícia da Flórida prendeu quatro brasileiros apontados como líderes do esquema; ubatubense teria sido detida por questão migratória, sem acusação formal de participação na fraude
Uma jovem de Ubatuba aparece entre os brasileiros detidos durante a operação realizada nos Estados Unidos contra um suposto esquema milionário de fraude migratória. A ação foi divulgada no dia 20 de abril e teve como foco a empresa Legacy Imigra, também chamada de Legacy Group, investigada por atuar com falsas promessas de regularização para imigrantes na Flórida.
Segundo as autoridades americanas, quatro brasileiros foram presos acusados de integrar a estrutura central do esquema: Vagner Soares de Almeida, Juliana Colucci, Ronaldo Decampos e Lucas Felipe Trindade Silva. De acordo com a investigação, o grupo teria movimentado mais de US$ 20 milhões com promessas de asilo, autorização de trabalho e outros processos migratórios sem respaldo legal.
Em coletiva, o xerife de Orange County, John Mina, afirmou que os investigados enriqueceram com um modelo baseado em fraude, manipulação, mentiras e extorsão. Ainda segundo a polícia, a empresa atraía principalmente brasileiros em situação migratória delicada e, em alguns casos, teria protocolado formulários sem pleno conhecimento das vítimas.
A apuração também aponta que clientes que tentavam cancelar os serviços ou questionavam cobranças eram pressionados e ameaçados, inclusive com menções a denúncias às autoridades migratórias. Há relatos ainda de retenção de documentos e exigência de novos pagamentos para devolução.
O grupo responde por acusações de associação criminosa, fraude organizada, extorsão, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e exercício ilegal da advocacia. As investigações começaram em setembro de 2025, após denúncia encaminhada por um advogado ligado à Ordem dos Advogados da Flórida.
No recorte local, vídeos divulgados pela polícia americana mostram uma jovem de Ubatuba entre os detidos na operação. Segundo pessoas próximas, ela trabalhava no atendimento da empresa e foi detida por questões migratórias, relacionadas à ausência de autorização de trabalho, sem acusação formal de participação no esquema fraudulento.
Ao todo, 14 brasileiros foram detidos na ação, sendo quatro apontados como responsáveis pela estrutura da organização e outros dez funcionários que atuavam no atendimento. A defesa de parte desses trabalhadores sustenta que eles exerciam funções operacionais e não tinham conhecimento sobre a ilegalidade das atividades.
Até o momento, sete vítimas formalizaram denúncias, com prejuízos entre US$ 2,5 mil e US$ 26 mil. Segundo a polícia, o número real de afetados pode ser muito maior. O caso segue sob investigação conjunta do Gabinete do Xerife de Orange County, da agência de Investigações de Segurança Interna e da Procuradoria-Geral da Flórida.
