Iniciativa reconhece produtores e comerciantes ligados à cadeia da juçara e busca unir conservação ambiental e geração de renda
A Fundação Florestal lançou o Selo Pró-Juçara, iniciativa voltada ao reconhecimento de produtores, organizações e estabelecimentos que adotam práticas sustentáveis ligadas à palmeira-juçara, espécie ameaçada de extinção da Mata Atlântica. A medida integra o Programa de Conservação da Palmeira-Juçara, criado em 2021.
Segundo a Fundação Florestal, o selo pretende dar mais valor aos produtos ligados ao manejo sustentável da espécie. O reconhecimento alcança diferentes etapas da cadeia produtiva, desde a coleta dos frutos e a produção da polpa até o processamento e a comercialização de derivados.
A proposta é fortalecer um modelo que combine conservação ambiental, geração de renda e valorização da sociobiodiversidade. Os frutos da juçara têm papel importante para a fauna da Mata Atlântica, servindo de alimento para mais de 70 espécies, e também podem ser usados na alimentação humana em produtos como sucos, bolos, sorvetes, pães e geleias.
O edital prevê duas modalidades. A primeira é a de produtor, destinada a pessoas físicas ou jurídicas que façam o manejo sustentável e a produção direta dos frutos. A segunda é a de apoiador ou comercializador, voltada a quem vende produtos oriundos desse manejo.
Para obter o selo, os interessados precisam comprovar que realizam o manejo adequado da juçara e cumprem a legislação ambiental. Entre os critérios analisados está a coleta sustentável, com a manutenção de parte dos frutos nas palmeiras para alimentar a fauna. Outro ponto observado é a ausência de plantios de açaí amazônico próximos às áreas de coleta, para evitar hibridização com a juçara.
As inscrições estão abertas e devem ser feitas por e-mail junto à Fundação Florestal. As solicitações serão analisadas pela equipe técnica do programa. Depois de concedido, o selo terá validade de até dois anos e poderá ser usado em embalagens e materiais de divulgação.
De acordo com a Fundação Florestal, cerca de 300 famílias já estão capacitadas para buscar o reconhecimento por meio do projeto socioambiental da palmeira-juçara.
O selo faz parte da política de Pagamento por Serviços Ambientais da juçara, que remunera famílias pelo plantio, manejo e proteção da espécie. Atualmente, São Paulo conta com 61 grupos de pagamento por serviços ambientais em operação, beneficiando cerca de 1,4 mil famílias em ações de conservação, restauração produtiva e manejo sustentável.
