A reportagem esteve nesta quinta-feira, 19 de março, no Quilombo da Fazenda, em Ubatuba, para acompanhar a situação da comunidade atingida pela forte chuva de 27 de fevereiro. No local, o que mais chama a atenção é a atuação do Exército Brasileiro, que voltou a dar apoio à população com a instalação de passadeiras e estrutura emergencial de acesso.
Segundo apurado pela reportagem, a atuação do Exército na comunidade começou logo após a chuva, em 3 de março, e deve permanecer até o fim deste mês. A presença militar ajuda a reduzir os impactos no deslocamento dos moradores e garante um mínimo de segurança para quem precisa entrar e sair do bairro todos os dias.
O trabalho tem sido conduzido pelo 2º Batalhão de Engenharia de Combate, o “Batalhão Borba Gato”, de Pindamonhangaba, unidade do Exército que já atuou em outras frentes de apoio humanitário no Vale do Paraíba e no Litoral Norte. A própria unidade usa o lema “Braço Forte, Mão Amiga”, expressão que se encaixa no cenário encontrado no Quilombo da Fazenda, onde a presença do Exército voltou a representar apoio concreto à população.
No bairro, moradores convivem mais uma vez com uma velha sensação de abandono. A chuva passa, o problema fica, e a solução definitiva segue prometida. O que aparece no dia a dia não é a ponte definitiva tantas vezes anunciada por políticos, mas a resposta emergencial de quem chega para evitar o isolamento completo da comunidade.
Esse tipo de cena já se repetiu em Ubatuba. Em março de 2024, após o colapso de uma ponte na Folha Seca, o Exército também foi acionado para apoiar moradores isolados e participar da resposta emergencial. Na época, a Prefeitura de Ubatuba informou ajuda humanitária na região e o governo estadual assinou autorização para a construção de pontes no município.
A repetição do roteiro escancara o tamanho do problema. Muda a gestão, muda o discurso, muda a promessa, mas a solução estrutural demora a chegar. Enquanto isso, comunidades tradicionais e caiçaras seguem dependendo de medidas improvisadas para manter a rotina em pé depois de cada temporal.
No Quilombo da Fazenda, a leitura dos moradores é simples: quando a chuva aperta, o poder público corre para conter a crise, mas a resposta definitiva nunca vem na mesma velocidade. Em ano eleitoral, a cobrança aumenta para que a comunidade não seja lembrada apenas no período de campanha, quando candidatos costumam reaparecer com novas promessas e velhas soluções inacabadas.
O registro feito pela reportagem nesta quinta-feira mostra justamente isso. De um lado, a presença efetiva do Exército, que mais uma vez aparece para ajudar o povo caiçara e quilombola em um momento difícil. De outro, a permanência de problemas que atravessam diferentes gestões sem solução definitiva.
No fim, a imagem que fica no Quilombo da Fazenda é forte. Quem entrega ajuda imediata é o Exército. Quem segue devendo resposta duradoura são os gestores e políticos que, há anos, prometem resolver o acesso da comunidade e ainda não resolveram.
