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UBATUBA: AMBULANTE DIZ EM ENTREVISTA EXCLUSIVA QUE SOFREU RACISMO EM CONFUSÃO NA PRAIA DO TENÓRIO

Rosimara do Espírito Santo foi ouvida pela reportagem nesta quarta-feira, 18, três dias após o caso que terminou na delegacia

A ambulante Rosimara do Espírito Santo, envolvida na confusão registrada no domingo, 15, na Praia do Tenório, em Ubatuba, falou com exclusividade à reportagem nesta quarta-feira, 18, e reafirmou que foi vítima de racismo durante o episódio que terminou na delegacia.

O caso foi registrado pela Polícia Civil como ocorrência de injúria racial, após uma discussão entre vendedores ambulantes, frequentadores da praia e pessoas ligadas a um quiosque. Guardas municipais foram acionados e conduziram os envolvidos para prestar esclarecimentos.

Segundo o boletim de ocorrência, Rosimara relatou que trabalhava com um carrinho de açaí quando foi abordada pelo advogado Flavio Henrique de Carvalho Placido, que teria pedido a retirada do equipamento do local. De acordo com a versão dela, o carrinho estava parado em frente a um casal que tomava sol. A ambulante disse que não podia removê-lo naquele momento porque a filha, apontada como proprietária, não estava na praia. Ainda conforme o registro, após a negativa, o homem teria empurrado o carrinho lateralmente, o que deu início à confusão.

No boletim, Rosimara também afirmou que, durante a discussão, o comerciante Uira do Lago teria dito a frase: “Esses neguinhos, essa negrinha estão me intimidando”. A testemunha João Pedro Faria Gonçalves informou à polícia que ouviu a fala. Rosimara, Emily do Espírito Santo Santos Silva Gonçalves e Bruno de Oliveira disseram ter se sentido ofendidos e procuraram a Guarda Municipal.

Na entrevista concedida nesta quarta-feira, Rosimara voltou a sustentar a versão apresentada anteriormente à polícia. A reportagem trata o depoimento como atualização importante do caso, agora com a manifestação direta da ambulante, apontada como uma das vítimas da ofensa racial.

Por outro lado, no registro policial, Uira do Lago negou ter feito ofensas raciais e afirmou que apenas tentou apartar a briga. Duas testemunhas ligadas ao quiosque disseram que não ouviram qualquer injúria. Diante das versões divergentes, o delegado de plantão entendeu que não havia elementos suficientes, naquele momento, para ratificar prisão em flagrante. Os envolvidos foram liberados e o caso seguiu para análise da Polícia Civil.

A reportagem também recebeu fotos do veículo atribuído ao casal parado em frente à delegacia, em área sinalizada como “Área de Segurança”. Se houver autuação pela autoridade de trânsito, a conduta pode se enquadrar no artigo 181 do Código de Trânsito Brasileiro, que trata de estacionamento em local proibido, com previsão de multa e remoção do veículo. Dependendo da situação apurada, também pode haver enquadramento no artigo 182, relativo à parada em local vedado.

Outra informação apurada pela reportagem aponta para uma suposta tentativa de influência nos desdobramentos da ocorrência. Segundo esse relato, teriam sido feitas ligações para tentar interferir no atendimento do caso na delegacia. Essa informação, porém, não aparece confirmada no boletim obtido pela reportagem e, até o momento, não há documento oficial que comprove eventual prática de tráfico de influência.

Com a entrevista de Rosimara, o caso ganha novo desdobramento público e aumenta a pressão por esclarecimento. A reportagem segue acompanhando a apuração e poderá atualizar o texto com novos documentos, imagens ou manifestações oficiais dos citados.

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