A nova legislação italiana sobre cidadania tem gerado forte repercussão entre descendentes no Brasil, país que abriga uma das maiores comunidades de origem italiana fora da Europa.
A medida, que passou a valer após decreto publicado no ano passado, restringe o reconhecimento da cidadania italiana apenas à primeira e segunda geração. Com isso, descendentes mais distantes, que antes tinham direito pelo princípio do “jus sanguinis”, passam a enfrentar barreiras legais para obter o reconhecimento.
Quem já deu entrada no processo até o prazo estabelecido mantém o direito garantido pelas regras anteriores. No entanto, novos pedidos seguem sob as normas atuais, que ainda enfrentam questionamentos na Justiça italiana. O tema voltou a ser debatido recentemente após decisão do Tribunal de Turim que manteve as mudanças, enquanto ações continuam sendo movidas alegando inconstitucionalidade da nova lei.
O debate envolve também questões culturais e sociais. Parte dos defensores da mudança argumenta que muitos cidadãos reconhecidos não mantêm vínculos com a Itália, enquanto pessoas nascidas e criadas no país ainda enfrentam dificuldades para obter cidadania.
Além da polêmica sobre cidadania, a Itália também discute mudanças no sistema judicial. Um referendo está em andamento para avaliar a separação de carreiras entre juízes e promotores, proposta defendida pelo governo como forma de dar mais agilidade aos processos. Já setores do Judiciário e da oposição criticam a medida, alegando riscos à imparcialidade e à estrutura do sistema.
Italianos que vivem no exterior, incluindo os residentes no Brasil com cidadania reconhecida, podem participar da votação, reforçando a conexão entre os dois países em decisões de impacto direto na comunidade internacional.
O cenário ainda é de incerteza, com novos julgamentos previstos e expectativa de possíveis mudanças que podem afetar milhares de brasileiros descendentes de italianos.
