Alvo de reclamações de boa parte dos turistas em São Paulo pelos preços altos cobrados nos pedágios e pelo excesso de movimentação, principalmente em períodos como o Carnaval, as estradas paulistas também são alvo de queixas do Tribunal de Contas de São Paulo (TCE-SP).
Segundo o órgão, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não cumpriu as metas estabelecidas pelo programa de concessões de rodovias, que incluem falta de acompanhamento rigoroso do volume de investimentos e um prejuízo de R$ 150 milhões nestes contratos.
Para o Tribunal de Contas, a licitação para administração de 51 lotes rodoviários de São Paulo foi irregular. Segundo a apuração do órgão de controle, a contratação virou uma espécie de “cartel licitário”.
Em seu relatório, o TCE-SP diz que “a Secretaria da Fazenda e Planejamento possui controle apenas parcial dos recursos envolvidos no Programa Estadual de Concessões de Rodovias”.
Na prática, ninguém sabe para onde vai o dinheiro, segundo os conselheiros. “O governo paulista não é capaz de prestar contas à sociedade sobre o uso feito desses recursos, transferidos dos cidadãos que pagaram pedágios às concessionárias, e destas, para os cofres estaduais por intermédio da Artesp. Não se garante, portanto, a aplicação desses recursos em investimentos, por exemplo.”
Em outro trecho, é ainda mais direto sobre a falta de controle do dinheiro que entrou no caixa do governo a partir das concessões das estradas. “A Secretaria de Fazenda e Planejamento não soube informar a respeito da aplicação dos recursos advindos das concessões rodoviárias, uma vez que eles se pulverizam no Tesouro Estadual a partir do momento que nele ingressam.”
Além destes problemas, o governador, que tenta usar a imagem de “defensor das privatizações” e é chamado de “Tarcisão do asfalto” por seus aliados, tomou uma decisão que gerou grande polêmica nos últimos meses.
No fim de 2025, o governo estadual garantiu o repasse de R$ 2 bilhões para as concessionárias das rodovias paulistas, sob o argumento de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos. Parte da oposição na Assembleia Legislativa afirma que falta transparência do líder do Palácio dos Bandeirantes na operação financeira.
Em 2026, ano em que Tarcísio irá disputar a reeleição para o Palácio dos Bandeirantes, a tendência é que o tema esteja no centro das discussões, já que, além disso, o Estado tem autorizado o aumento de instalação de praças de pedágios nas estradas, algumas delas no sistema free-flow, como no caso do Sistema Anchieta-Imigrantes, que liga o Grande ABC à Baixada Santista.
