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LITORAL NORTE: TECNOLOGIA INTEGRA RADAR, PLUVIÔMETROS E RIOS PARA MONITORAR CHUVAS E REDUZIR RISCOS

Sistema usa acumulado de chuva, radar meteorológico e estações fluviométricas para antecipar deslizamentos, alagamentos e enxurradas

O monitoramento das chuvas no Litoral Norte de São Paulo é realizado por um conjunto de tecnologias integradas, utilizadas pela Defesa Civil para acompanhar a evolução dos eventos meteorológicos e antecipar riscos à população, especialmente em períodos de chuva intensa e persistente.

Um dos principais indicadores acompanhados é o ACC (acumulado de chuva), que representa a soma de toda a precipitação registrada em um determinado intervalo de tempo, geralmente em janelas de 24, 48 ou 72 horas. Diferentemente da chuva momentânea, o acumulado indica quanto de água o solo já absorveu, sendo um fator decisivo para a avaliação do risco de deslizamentos de terra, enxurradas e alagamentos. Para efeito de comparação, 100 milímetros de chuva equivalem a 100 litros de água por metro quadrado.

Esse dado é cruzado com os parâmetros do Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC). Quando o acumulado se aproxima ou ultrapassa os valores de referência, o sistema indica saturação do solo, podendo levar à elevação do nível de alerta e à adoção de medidas preventivas, mesmo que a chuva perca intensidade naquele momento.

Além do acumulado, a Defesa Civil utiliza o radar meteorológico, ferramenta que permite acompanhar a chuva em tempo quase real. O radar identifica a formação, a intensidade e o deslocamento das áreas de precipitação, ajudando a mapear núcleos de chuva forte, temporais persistentes e fenômenos comuns na região, como a chuva orográfica e a chamada chuva de cabeceira, quando grandes volumes caem nas áreas de serra e descem rapidamente em direção ao litoral.

Enquanto o radar mostra o que está chegando, os pluviômetros registram quanto efetivamente caiu em cada ponto do território. Esses equipamentos são fundamentais para validar as estimativas do radar e para alimentar os gatilhos operacionais do PPDC. No Litoral Norte, onde o relevo da Serra do Mar faz com que a chuva varie significativamente de um bairro para outro, a presença de pluviômetros funcionando corretamente em locais estratégicos reduz falhas no monitoramento e evita “pontos cegos”.

Outro elemento essencial são as estações fluviométricas, responsáveis por medir o nível e, em alguns casos, a vazão de rios e córregos. Esses dados indicam como os cursos d’água estão respondendo ao volume de chuva acumulado. Em bacias curtas e de resposta rápida, comuns na região, a elevação súbita do nível dos rios pode sinalizar risco iminente de transbordamentos e inundações, mesmo antes que ocorrências sejam registradas.

A integração entre radar meteorológico, pluviômetros e estações fluviométricas permite uma leitura mais precisa do cenário. O radar aponta a tendência e a persistência da chuva, os pluviômetros confirmam o volume real no solo e as estações mostram o impacto direto nos rios. Esse conjunto reduz o risco de surpresa e dá suporte técnico para decisões como abertura de pontos seguros, interdições viárias e alertas à população.

No Litoral Norte, região marcada por encostas íngremes, ocupações em áreas vulneráveis e histórico de eventos extremos, esse sistema vai além da previsão do tempo. Ele é uma ferramenta de gestão de risco, usada para proteger vidas e orientar ações antes que a situação evolua para ocorrências graves.

Quando o termo ACC aparece nos mapas e painéis da Defesa Civil, ele indica que o solo já recebeu grande volume de água e que o risco pode aumentar mesmo sem novos picos de chuva. A compreensão desse indicador e do funcionamento das tecnologias envolvidas ajuda a entender por que, em determinados momentos, o nível de alerta é elevado de forma preventiva.

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