Por Caroline Ferrari
Neste período em que o Carnaval ocupa ruas, telas e conversas, um comportamento se torna evidente e merece atenção das marcas: as pessoas querem fazer parte de algo maior. Mais do que a festa em si, o que se vê é a força do coletivo, do pertencimento e da experiência compartilhada, elementos que também estão no centro das estratégias de engajamento mais eficazes do marketing de hoje em dia.
Quando observamos grandes movimentos coletivos, percebemos que o engajamento não nasce de estímulos isolados, mas de conexões emocionais. Pessoas se reúnem porque se identificam, compartilham códigos, valores e narrativas comuns. No universo das marcas, esse mesmo princípio se aplica: quanto mais clara é a identidade, maior a capacidade de atrair comunidades genuínas e não apenas consumidores ocasionais.
A construção de pertencimento se tornou um ativo estratégico. Marcas que entendem isso deixam de disputar atenção em ambientes já saturados e passam a ocupar espaço emocional. Elas não falam com todos, falam com quem se reconhece em sua linguagem, propósito e posicionamento. É assim que surgem comunidades, fandoms e grupos de consumo que defendem, recomendam e escolhem marcas de forma quase orgânica.
Outro aprendizado importante vem dos rituais. Grandes movimentos são sustentados por práticas recorrentes, símbolos e experiências que se repetem e se renovam. No marketing, campanhas têm prazo de validade, mas rituais constroem vínculos duradouros. Quando uma marca cria momentos de encontro, estabelece cadência de comunicação e convida o público a participar ativamente, ela deixa de ser apenas uma emissora de mensagens e passa a ser parte da rotina das pessoas.
O verdadeiro engajamento acontece quando o indivíduo se percebe como parte do todo. Não se trata apenas de vender um produto ou serviço, mas de criar experiências que conectam pessoas entre si e com a marca. Em um cenário cada vez mais competitivo, marcas que compreendem o comportamento coletivo conseguem transformar campanhas em movimentos e consumidores em participantes ativos.
No fim, o maior aprendizado é claro: engajamento não se força, se constrói, e marcas que sabem puxar esse ‘bloco’ não precisam correr atrás da atenção, pois naturalmente elas levam multidões junto.
*Caroline Ferrari é Diretora de Novos Negócios Corporativos da Octopus
