Anatel inicia retirada nacional após o fim das concessões de telefonia fixa; aparelhos só devem permanecer, até 2028, onde não houver alternativa de comunicação móvel.
Os tradicionais orelhões — que por décadas foram sinônimo de ligação “a cobrar” e ponto de encontro em ruas e praças — entram oficialmente em rota de desaparecimento em 2026. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) iniciou em janeiro o processo de remoção dos telefones públicos, após o encerramento das concessões de telefonia fixa que obrigavam as operadoras a manter a infraestrutura.
No Litoral Norte, levantamento indica que ainda há 380 aparelhos nas quatro cidades: Ubatuba (110), Caraguatatuba (115), São Sebastião (111) e Ilhabela (44). A tendência, porém, é de redução acelerada com a retirada de carcaças e equipamentos desativados, além da reorganização do serviço nos municípios.
Segundo a Anatel, o desligamento não ocorre de forma idêntica em todo o país. A orientação é que a manutenção dos orelhões seja concentrada apenas em locais onde não exista cobertura de celular ou outra opção de comunicação — e, mesmo nesses casos, somente até 2028. Com o fim dos contratos, empresas como Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica deixam de ter a obrigação legal de manter os telefones públicos.
O encolhimento já vinha acontecendo: em 2020, o Brasil ainda tinha cerca de 202 mil orelhões, número que caiu para cerca de 38 mil atualmente, entre ativos e em manutenção. Como contrapartida, a agência reguladora prevê que os recursos e estruturas sejam redirecionados para investimentos em banda larga e telefonia móvel, serviços que hoje concentram a maior parte da demanda.
Criado em 1971 pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, o orelhão virou símbolo nacional não só pelo design, mas pela função: melhorar a acústica e reduzir o barulho externo durante as ligações. Agora, com o avanço dos celulares e aplicativos, a cabine que marcou gerações começa a deixar, de vez, o cenário urbano — inclusive no Litoral Norte, onde ainda resiste em dezenas de pontos.
